Na pandemia, Trump faz “cortina de fumaça” e Biden aposta no Obama Care
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Na pandemia, Trump faz “cortina de fumaça” e Biden aposta no Obama Care

Morris Kachani

21 de maio de 2020 | 15h55

AFP/Eric Baradat e REUTERS/Kevin Lamarq

Por Isabella Marzolla

Se essa eleição se tornar um “plebiscito”, como parece que será, da atuação do governo de Donald Trump durante a pandemia, a campanha de Joe Biden será enormemente favorecida, diz especialista.

Os Estados Unidos são hoje o epicentro da pandemia com cerca de 1.528.235 casos e 91.664 mortes, até o momento desta reportagem. O primeiro caso da doença no país ocorreu em 20 de janeiro e Trump anunciou estado de emergência dia 17 de março, quase dois meses depois, quando também informou o envio de um pacote de 1 trilhão de dólares à Câmara, que previa licença médica paga, seguro-desemprego e outros benefícios para trabalhadores afetados pela pandemia. Os Estados Unidos possuem por volta de 4 milhões de trabalhadores informais que, assim como no Brasil, são os
mais vulneráveis em meio a essa crise sanitária.

Em dezembro de 2019, a economia norte-americana vinha bem, com taxa de desemprego mais baixa em 50 anos, apenas 3,5%. Hoje essa taxa também é histórica. O país contabiliza 36 milhões de desempregados, a taxa mais alta desde a grande depressão americana, que atingiu 24.9% em 1933.

O atual presidente republicano, que busca a reeleição, vê sua popularidade cair. Este mês a taxa de reprovação de Donald Trump bateu 56%, de acordo com pesquisa feita pelo Ipsos/Reuters entre os dias 11 e 12. Enquanto nas pesquisas de opinião eleitorais seu oponente, o democrata centrista e ex vice-presidente de Barack Obama, Joe Biden, aparece – com uma margem pequena – na frente de Trump com uma média de 45%.

Felipe Loureiro é professor do Instituto de Relações Internacionais da USP e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Estudos sobre Estados Unidos (INCT-INEU).

“Joe Biden fica em casa e usa máscara, respeitando o isolamento social, o que é uma manifestação política. O Trump, por exemplo, nunca usa máscara e pede pela reabertura da economia”.

“Existe um paralelismo entre a atuação do Trump ao longo da crise sanitária com o governo Bolsonaro no Brasil, apesar de haver algumas diferenças importantes. Uma delas foi que houve um reconhecimento do Trump em um dado momento”.

“(…) No Brasil o Bolsonaro demite, nos EUA o Trump não demite, mas mantêm uma relação de tensão com essas figuras técnicas e cientificas, não chegando ao limite de demiti-las; o poder que o Congresso exerce sobre o executivo nos EUA é muito maior do que o visto no Brasil”.

Como está sendo a atuação do governo Trump na pandemia até agora? Temos vistos algumas semelhanças com as atitudes adotadas pelo presidente Bolsonaro, no Brasil.

Existe um paralelismo entre a atuação do Trump ao longo da crise sanitária com o governo Bolsonaro no Brasil, apesar de haver algumas diferenças importantes. Uma delas foi que houve um reconhecimento do Trump em um dado momento, especialmente em meados de março, sobre a gravidade da doença e percebemos que seu governo inclusive recomendou medidas de isolamento social na época. Só que recentemente, a partir de meados de abril para frente, essa atitude do governo
americano começou a mudar de maneira muito clara, especialmente a figura do Trump.

Se percebe o presidente americano realmente forçando a reabertura da economia a qualquer custo e o uso de tratamentos alternativos. Primeiro a hidroxocloroquina e agora recentemente, Trump anunciou a espécie de uma pesquisa para desenvolver uma vacina em tempo recorde.

Além disso, Trump tem soltado tweets incitando a população de determinados estados, como é o caso no estado de Michigan, governado pela democrata Gretchen Whitmer, pedindo para “libertar o estado” e para a população se manifestar a favor da reabertura da economia e contra o isolamento social.

Há vários especialistas afirmando que os Estados Unidos não estão preparados para uma reabertura da maneira como está acontecendo, por vários motivos, e o Trump continua “batendo na tecla” de que a reabertura tem que acontecer.

Por que essa insistência do presidente?

A situação nos EUA é mais dramática para o Trump do que a situação no Brasil para o Bolsonaro, porque o Trump enfrentará uma eleição ao final do ano, em novembro.

A crise econômica nos EUA é grave, hoje estão com 36 milhões de desempregados, uma taxa de desemprego que só não é maior do que quando houve a grande depressão, no começo dos anos 30. Então, em uma situação como essa, com falências de empresas médias e pequenas, é evidente que Trump estaria desesperado para a economia voltar a andar, porque na verdade a economia era o principal trunfo de seu governo.

Até início deste ano a economia dos Estados Unidos vinha bem. Pouco tempo antes da pandemia atingir o país, em dezembro do ano passado o governo norte-americano registrou uma taxa de desemprego histórica, a mais baixa em 50 anos, com apenas 3,5% de desempregados.

Sim, uma taxa de desemprego baixa inclusive em grupos minoritários da população. A economia era a principal bandeira do governo Trump para a sua reeleição, e ele viu, em questão de meses essa pandeira ir “para o ralo”, esse foi o motivo pelo qual ele sempre vinha minimizando o perigo da pandemia. Por isso demorou tanto tempo para reconhecer o perigo e tomar medidas, no sentido de viabilizar o isolamento social.

Muitos economistas e epidemiologistas americanos argumentam que o “tiro pode sair pela culatra”, porque você pode reabrir a economia em vários estados do país e isso levar a novos picos da doença e necessitar um segundo “fechamento” [isolamento social] ainda mais severo e com consequências econômicas duras.

O que a população norte-americana pensa sobre a atuação do governo?

Apesar de existir o apoio de setores da população, especialmente republicanos e grupos mais a direita, pela reabertura da economia e pela livre circulação nas cidades, é importante pontuar que quase todas as pesquisas de opinião mostram que a maior parte da população norte-americana, mais de 70%, defende que a reabertura seja feita só quando houver condições sustentáveis e seguras.

Então essa postura que o Trump está tendo, que me parece bastante arriscada, é porque ele sabe que precisa da recuperação econômica para se sair bem nas eleições. Mas, ao mesmo tempo, ele está indo contra a corrente de grande parte da população, inclusive contra setores do próprio partido republicano, sobre as medidas contra a doença.

Tem pesquisas de opinião mostrando também que, como é uma doença que afeta muito a população mais velha, tem muitos idosos republicanos que avaliam a atitude do governo Trump como bastante complicada.

Donald Trump está apostando alto. Óbvio que se mesmo com a reabertura do comércio, a doença não voltar a ter novos picos, a tendência é que a economia comece a se recuperar e daqui a poucos meses essas posições de alguns republicanos, que hoje estão contra ao Trump, voltem ao apoiá-lo.

E as manifestações populares contra as medidas de isolamento social ainda vigentes em maioria dos estados norte-americanos?

Podemos perceber também paralelismo nos protestos no Brasil com os protestos nos Estados Unidos.

O conflito com os governadores e esses grupos mais à direita [que se manifestaram] no aspecto político são muito semelhantes. Existe uma descrença com o saber científico muito grande e que, portanto, a doença estaria sendo utilizada politicamente pelos democratas – uma teoria conspiratória – como uma forma de fechar a economia e prejudicar politicamente o atual presidente republicano, Donald Trump.

Saindo um pouco das teorias conspiratórias, há também o individualismo liberal, que é uma questão muito forte na sociedade americana; “os meus direitos, o direito de usufruir da minha liberdade, do direito de ir e vir, do direito à minha propriedade”.

Tem setores da população, especialmente republicanos, que defendem os direitos liberais norte-americanos clássicos e que se colocam no direito de saírem de suas casas e questionarem seus governadores contra as medidas de isolamento social.

Outra questão é que os epicentros do coronavírus estão em grandes centros urbanos, como Detroit, Nova Iorque e Nova Orleans. Já nas regiões menos populosas, rurais e em cidades menores os efeitos da doença não são tão vistos pela população, mas os efeitos econômicos são sentidos e isso gera manifestações pela reabertura dos negócios e comércios.

Então é um mosaico de motivações e o Trump utiliza-se desse mosaico para reabrir a economia o quanto antes, o que considero um movimento arriscado.

Atualmente cerca de trinta estados americanos iniciaram o processo de saída do isolamento e abertura da economia. Como as medidas a favor e contra a reabertura da economia afetam a popularidade dos governadores?

O governo Trump acabou deixando muita responsabilidade nas mãos dos estados no combate ao coronavírus, não tem guidelines claros vindo do governo federal.

As pesquisas de opinião norte-americanas também mostraram que os governadores que mantiveram o isolamento social e uma postura mais cuidadosa frente à pandemia, sejam governadores republicanos ou democratas, estão tendo maior apoio de suas respectivas populações.

O governador republicano da Geórgia, Brian Kemp, foi um dos primeiros a colocar em prática um esquema de reabertura da economia rápido e audacioso em seu estado. Houve uma queda na popularidade de Kemp, porque as pessoas estão com medo de retornar as suas atividades normais sem ter garantias mínimas de que um novo surto não volte a acontecer.

Atualmente já está havendo discussões dentro do lado democrata, do grupo do pré- candidato Joe Biden, de tentar ganhar espaço em estados que historicamente, nas últimas décadas pelo menos, foram de maneira sistemática estados republicanos. Então sobre o estado da Geórgia e de Ohio – mesmo que a Hillary Clinton tenha perdido este eleitorado nas últimas eleições – há um esforço da campanha de Biden de vencer lá.

Hoje existem em alguns estados, como no Michigan, Texas e Alabama milícias protegendo determinados comércios para que eles sejam reabertos, contra os governadores desses estados que são a favor do isolamento social. Chamam, inclusive, a governadora do Michigan, Gretchen Whitmer, de “novo Hitler”, porque ela proibiu as pessoas de saírem de suas casas.

Nos Estados Unidos tem um embate “dos mascarados” contra os “não mascarados”, pessoas que se recusam a seguir as orientações e medidas contra o coronavírus [como as máscaras e o isolamento social] versus os que são a favor das medidas [usam máscara e respeitam o isolamento]. Uma politização da máscara na pandemia.

Portanto, dependendo de como a pandemia se desenvolver, se essa aposta do Trump [de reabrir a economia] der errado, nos estados que são solidamente republicanos pode acontecer um aumento do apoio aos democratas que defenderam o isolamento desde o início.

Tem governadores que possuem uma taxa de popularidade hoje maior do que a de Trump, tanto democratas quanto republicanos.

Em vários momentos o presidente norte-americano deixou claro sua insatisfação com a atuação do CDC (Centers for Disease Control and Prevention) e com o epidemologista Anthony Fauci, principal “homem da ciência” nos EUA, por serem contra a saída do isolamento social em todo o país e a indicação do uso da hidroxocloroquina no tratamento do coronavírus, entre outras medidas.

Outra semelhança entre os governos brasileiro e americano. Mas no Brasil o Bolsonaro demite, nos EUA o Trump não demite, mas mantêm uma relação de tensão com essas figuras técnicas e cientificas não chegando ao limite de demiti-las.
Se olharmos para a principal agência de saúde dos EUA, que é o CDC (Centers for Disease Control and Prevention), que existe há mais de 70 anos, Trump vem marginalizando a agência.

As instituições norte-americanas têm um impacto enorme no governo dos Estados Unidos, mais do que as intuições brasileiras têm sobre o governo do Brasil. As medidas sanitárias recomendadas pelo CDC são mais respeitadas nos EUA do que o ministério da saúde no Brasil?

O peso das instituições é realmente outro e o escândalo que seria uma interferência aberta de Trump, em agências grandes como o CDC, teria um efeito no congresso. Até porque a Casa dos Representantes é de maioria democrata [233 assentos pertencem ao Partido Democrata contra 198 do Partido Republicano], isso geraria consequências muito graves para o governo Trump. É uma “dança das cadeiras” mais complicada do que a brasileira. O poder que o congresso exerce sobre o executivo
nos EUA é muito maior do que o visto no Brasil.

Joe Biden foi acusado em abril por uma ex-funcionária de seu gabinete no Senado de ter abusado sexualmente dela em 1993, o que pesou negativamente em sua imagem. O pré-candidato democrata usará a pandemia a seu favor, como contrapeso?

Se essa eleição, como parece que será, se tornar um “plebiscito” da atuação do governo de Donald Trump durante a pandemia, a campanha de Joe Biden será enormemente favorecida.

O Biden é uma figura no Partido Democrata moderada e centrista que possui um bom diálogo com setores considerados moderados do Partido Republicano. Até a população branca de subúrbio e escolarizada, que votou bastante em Trump nas eleições de 2016, o veem de uma maneira mais positiva.

O Trump vem claramente tentando deslocar o foco da pandemia. Ele voltou a falar do Obamagate (uma teoria da conspiração que surgiu na comunidade conservadora, alegando que Barack Obama já usou o (FBI) para tentar prejudicar Donald Trump, algumas semanas antes das eleições de 2016) e da China.

Sobre a China, ele faz um discurso de que a economia andava perfeitamente e foi interrompida artificialmente por um vírus chinês, dizendo que as atitudes chinesas foram de esconder as evidências e não permitir que as comunidades científicas internacionais pudessem atuar contra o vírus e de que os democratas lidam de maneira soft com os chineses. Implicando que se os democratas estivessem no poder eles não protegeriam os empregos americanos da China, do modo como ele [Trump] vem protegendo.

Essa é a estratégia da “cortina de fumaça” de Trump na pandemia para evitar que a eleição se torne um “plesbicito” da atuação de seu governo.

Trump quer que a eleição se transforme em uma disputa dele contra Biden [tirando do centro das atenções a avaliação de seu governo na pandemia], em que Joe Biden é retratado como um candidato idoso, que comete erros, que comete gafes retóricas e que tem um problema de gagueira.

Donald Trump chama Joe Biden de “Sleepy joe”, como se ele fosse meio bobão, letárgico e senil, no sentido de “como vamos deixar nossa nação nas mãos desse dorminhoco e despreparado, como o Biden?”.

A campanha de Trump também irá explorar as ligações que seu filho, Hunter Biden, tem com uma empresa de gás ucraniana, que geram suspeitas de corrupção.

[Hunter Biden, em abril de 2014, entrou para o Conselho de uma das maiores empresas de gás natural da Ucrânia, a Burisma Holdings, até o início de 2019. A empresa possui ligações com suspeitas de sonegação de impostos e lavagem de dinheiro].

No meio de uma crise sanitária dessa magnitude, a proposta de expansão do sistema de saúde vigente ou de um Medicare For All será uma peça-chave na campanha de Joe Biden?

Acho que sim. O Trump vai tirar o foco o máximo possível da pandemia e responsabilizar a China. Já Biden fará exatamente o oposto, mostrando os erros do governo e o quanto as políticas de Trump demonstram um despreparo para impedir que situações como essas – que estão cada vez mais frequentes na história – aconteçam no futuro, o que implica na questão do sistema de saúde.

Tenho segurança de que o Biden não vai assumir um plano tão audacioso em termos de saúde quanto o de Bernie Sanders nas primárias democratas [Medicare For All], mas Joe Biden certamente irá “bater na tecla” de que ele costurou a aprovação do Obama Care [formalmente chamado de Affordable Care Act (ACA), que entrou em vigor no primeiro dia de 2014 no governo de Barack Obama e do vice Joe Biden, foi amplamente reduzido na gestão de Donald Trump] no congresso, que apesar de ser um sistema de saúde modesto em comparação ao de outros países desenvolvidos, foi um passo importante. Tanto é que os republicanos demonizam o Obama Care, o considerando como o “comunismo” no sistema de saúde.

Além de enaltecer o Obama Care, Biden também irá defender a necessidade da ampliação desse sistema de saúde para que haja a garantia de subsídios para os norte-americanos que não tem condição de comprar planos de saúde e que diminuam os preços para o uso de tratamentos no sistema privado.

Não acho que o Biden irá abraçar o mesmo modelo de sistema universal de saúde do Bernie Sanders, mesmo assim, o contraponto com o que os republicanos, nesse âmbito, têm apresentado é muito grande. E isso pode ser um fator positivo para o crescimento do eleitorado de Joe Biden neste ano.

Uma prova disso é que nas Midterm elections [eleições em que a população pode eleger seus representantes e outros executivos subnacionais (governador, membros do conselho local) no metade do mandato do executivo] no meio de 2018, os democratas ganharam muitas cadeiras na Casa dos Representantes graças a defesa da necessidade de um sistema de saúde mais amplo, da expansão do Obama Care. Em 2018, o sistema de saúde já era uma questão, agora sem dúvidas será essencial
no discurso político de Biden, nas eleições em novembro.

Além da ampliação do sistema de saúde entrar no debate público, houve também o envio de auxílio emergencial financeiro à população norte-americana. Isso pode abrir precedentes para a possibilidade de um Estado “maior” no país?

Acredito que sim, não de um sistema de saúde totalmente público, mas de cada vez mais o Estado subsidiar e apoiar o cidadão a não ficar desemparado diante de questões de saúde.

Em relação a questão do crescimento do Estado em um intervencionismo econômico, ainda está em aberto e é mais difícil. Estamos em uma situação excepcional, com uma taxa de desemprego muito alta. Já houve medidas, acordos bipartidários [republicanos e democratas] aprovados no congresso para ajudar empresas menores e garantir uma renda básica para a população, mas foram medidas excepcionais.

A China, apesar de ter sido o epicentro da crise, atualmente tem tido um protagonismo positivo na pandemia. No mundo pós-pandêmico a China pode capitar parte da hegemonia norte-americana no cenário global?

É muito cedo para dizer isso com clareza, mas se formos pensar nas tendências, não há dúvida que a China dá sinais de que saíra da crise muito maior, especialmente do ponto de vista do que chamamos em relações internacionais de um soft power.

A China hoje passa uma imagem de possuir boa administração e de ter condições de gerir crises muito mais positiva do que os Estados Unidos.

Outro ponto é se os Estados Unidos continuarem com essa tendência de se afastarem das organizações internacionais e deslegitimar a OMS (Organização Mundial da Saúde), a China irá se aproveitar e ocupar o espaço norte-americano, fortalecendo a posição chinesa no sistema internacional.

E o terceiro elemento é quem vai, de fato, sair na frente e conseguir produzir uma vacina eficaz contra o coronavírus. Vamos ter uma diplomacia da vacina. Se a China conseguir desenvolver essa vacina e produzi-la em massa, isso pode ser usado para a cooperação entre os países e assim construir laços e pontes diplomáticas.

De acordo com os últimos levantamentos, feitos neste mês de maio pela 270 To Win, Biden aparece na frente com 45.7% contra 41.4% de Trump na corrida eleitoral. É possível prever um cenário dos resultados das eleições dos Estados Unidos em novembro?

Não dá para prever, mas em termos tendenciais, se o quadro continuar dessa maneira e chegarmos em novembro com o “plesbicito” sobre a atuação do governo Trump, tanto em termos sanitários quanto em econômicos durante a pandemia, a chance de Donald Trump não se reeleger é muito grande.

As pesquisas de opinião americana mostram o Biden na frente, e mais importante, mostram o Biden na frente de Trump nos key states, que são considerados os “estados-chave” nas eleições americanas – Pensilvânia, Wisconsin e Michigan – estados em que os democratas perderam as eleições, em 2016, para os republicanos.

Hoje a situação está muito favorável ao Joe Biden, mas a política, principalmente em ano eleitoral, muda rapidamente. Ainda tem 6 meses até as eleições, muita coisa pode acontecer e a campanha de Trump tem muito mais dinheiro, estrutura e presença nas redes digitais do que a campanha eleitoral de Biden.

Qual será a importância das eleições à presidência do Estados Unidos este ano?

Essas eleições americanas serão talvez o fato mais importante da década de 2020, porque quatro anos a mais de Trump representaria a consolidação da nova direita nos Estados Unidos e fortaleceria movimentos da nova direita e extrema direita em várias partes do mundo.

Falam que o Brasil tem um alinhamento automático com os Estados Unidos, na verdade, o Brasil tem um alinhamento automático com o “trumpismo”.

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