O que é sustentabilidade e como nela se inspirar nestes tempos obscuros, de acordo com a diretora da Natura
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O que é sustentabilidade e como nela se inspirar nestes tempos obscuros, de acordo com a diretora da Natura

Morris Kachani

12 de abril de 2021 | 18h53

“Este é um momento difícil que exige o melhor dos compromissos para evoluirmos como sociedade. O mundo que escolhermos praticar, individual e coletivamente, pode ser ainda melhor”

Assista à entrevista: https://youtu.be/1cJNBBENGxc

As práticas de sustentabilidade, impacto social e diversidade da multinacional brasileira Natura, reconhecidas mundialmente, deveriam servir como exemplo de inspiração nestes tempos obscuros que o Brasil atravessa. E não apenas no contexto de mercado, como também em termos de governança pública e por que não, na gestão da vida pessoal de cada um, no dia a dia.

Lá se vão 20 anos desde o lançamento da marca Ekos, criada com a missão de conectar a ciência e a natureza para desenvolver cosméticos de alta performance e, ao mesmo tempo, conservar a Amazônia e os conhecimentos da floresta e dos que vivem nela.

Nesse último período, houve a aquisição da Avon, da The Body Shop, e a campanha bem-sucedida com Thammy Gretchen, para ficar apenas nos cases mais midiáticos.

Denise Hills é a diretora global de sustentabilidade da empresa, tendo ocupado a mesma cadeira no Itaú, até 2019. Também coordena ações na ONU nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção, através da Rede Brasil do Pacto Global.

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“Eu não consigo imaginar um negócio que se diga rentável ou eficiente ou capaz de mobilizar atenção – sejam de recursos, investimentos ou reconhecimento do mercado -, e que não considere o ESG (Traduzido do inglês Governança Ambiental, Social e Corporativa refere-se aos três fatores centrais na medição da sustentabilidade e do impacto social de um investimento em uma empresa ou negócio) como essencial. Esta é a melhor fonte de inovação e de oportunidade para criar ou adaptar negócios. Não existe mundo fora disso. Eu não posso imaginar uma empresa ou um indivíduo fazendo sucesso e desconsiderando o mundo onde ele vive”

“A gente como sociedade nunca imaginou que viveríamos um momento em que fôssemos “quase que mandados” para nossas casas para refletir sobre a nossa interdependência. Não existe separado, se eu tomar uma decisão que é boa só para mim eu não terei nem meu problema resolvido”

“Se eu tivesse hoje que fazer uma to do list da humanidade, eu pegaria os 17 ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU). Se a gente não resolver essas questões como sociedade, provavelmente teremos dificuldades em viver como sociedade, e ‘viver’ como empresa é só uma consequência disso”

“A tecnologia pode ser um grande vetor de inclusão ou piorar ainda mais a exclusão”

“Para garantir a resiliência do nosso negócio, precisamos garantir a resiliência dos sistemas onde operamos”

“Na Natura temos três grandes pilares: mudanças climáticas e Amazônia, direitos humanos e circularidade – que fala basicamente de fórmulas e embalagens. Um dos nossos compromissos é aumentar o nosso conhecimento sobre o bioma amazônico e a vocação desse bioma em produzir algumas coisas que podem ser fonte de inovação. Esses modelos hoje de trabalhar nas comunidades garantem toda a nossa capacidade, inclusive o nosso compromisso de preservação de 1.8 milhões de hectares de floresta, querendo chegar a 3.3 em 2030. Nosso compromisso com fórmulas naturais está na própria essência da Natura, no nome da Natura, e com uma cosmética que garanta o bem-estar para você e a sua relação com o planeta e com todas as outras pessoas. Cada vez mais a gente pode ter fórmulas naturais, mais recentemente veganas ”

“Falamos que um dos grandes impactos que a gente deixa no mundo é que tipo de produto eu tenho a oferecer para você e como isso acaba no meio ambiente. A diferença entre pegada e legado é o que eu deixo. A Natura, por exemplo, começou com o refil em 1996 e hoje está escalando toda essa estratégia”

“Eu levo o produto para você e não causo nenhuma externalidade, nenhum impacto negativo. Carbono hoje a gente [Natura] não consegue ser zero; a gente tem o compromisso de ser até 2030. Como Natura a gente mede [os impactos] e aquilo que a gente não consegue eliminar, nós compensamos”

“A Natura atingiu e divulgou esse ano ter 51% de mulheres em cargos de liderança. E na “Visão 2030” temos o compromisso de garantir a equivalência de salários entre homens e mulheres e 30% de under represented groups na gestão”

“A gente tem os temas de gênero, diversidade sexual LGBTQI+, deficiências – justamente como a gente inclui pessoas com questões físicas ou mentais – e pessoas com vulnerabilidade social, que podem ser no caso de alguns países, refugiados. Diversidade é mais do que um compromisso, na verdade, é uma fonte de inovação. Como é que uma empresa pode ter melhores produtos e serviços para uma população que é diversa? Trata-se de uma mudança social muito importante”.

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