Sabrina Fernandes: ecossocialismo na pandemia
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Sabrina Fernandes: ecossocialismo na pandemia

Morris Kachani

15 de julho de 2020 | 17h11

Assista à entrevista: https://www.youtube.com/watch?v=ocoLd3uNZ4o

Você já ouviu falar em ecossocialismo?

Que lições traz a cartilha de Marx, para o que vem por aí no que chamamos de ‘novo normal’?

Sabrina Fernandes, doutora em sociologia e mestre em economia política, nascida em berço de uma família evangélica praticante, se define como sendo de esquerda radical.

Youtuber de mão cheia, com mais de 300 mil seguidores no seu canal, vegana e feminista, sim senhor.

“O gabinete do ódio é muito bem articulado, a esquerda não chega nem aos pés. Faltam estratégias de comunicação na esquerda, somos muito autofágicos. Tem que sair da cultura do panfleto, com aqueles jargões que ninguém entende mais”.

“O próprio Partido dos Trabalhadores se perdeu no lulismo”.

“O Luciano Huck é o que chamamos da lógica de “higienizar o capitalismo””.

“Olavo de Carvalho é inteligente. O criticável nele é sua capacidade de criar pânicos morais”.

“Falar que o “ser humano” está destruindo o planeta é meio problemático porque coloca todo mundo no mesmo patamar. Jeff Bezos não está no mesmo patamar de quem mora na Maré, no Rio de Janeiro”

“Tem que pegar esse momento que estamos vivendo e compreender a nossa responsabilidade de não voltar ao “normal”. Se o “normal” nos trouxe até aqui, algo naquele “normal” estava errado. Toda vez que falamos de economia não podemos deixar de lado a mudança climática”.

“O ecossocialismo bebe muito da teoria verde, no sentido de olhar como as nossas relações de produção estão totalmente atreladas com as questões da natureza. A gente brinca que é o ‘verde’ com o ‘vermelho’.”

“Marx fala da necessidade do homem em se regular com o metabolismo da natureza, porque essa tendência da sociedade humana de ficar lutando com a natureza achando que vai vencer é muito tola. É a noção de um retorno à natureza. Para pensar em uma revolução precisamos ter uma terra viável para trabalhar”.

“O veganismo está associado ao ecossocialismo? Eu diria que sim, mas é um debate muito recente. Há o debate de que a exploração animal está ligada à mudança climática, com o poder do agronegócio de desmatar, de invadir territórios indígenas. Precisamos trabalhar com a soberania alimentar para que a pessoa possa escolher não comer carne.”

“O moralismo é uma forma de governar os fiéis. Mas se a fé cristã tem uma mensagem de libertação, não faz sentido nenhum isso.”

“É bom ficarmos atentos ao greenwashing – quando as corporações se apropriam de causas ambientais para vender mais”.

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