Teresa Cristina: “o samba já nasceu de esquerda”

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Teresa Cristina: “o samba já nasceu de esquerda”

Morris Kachani

05 de julho de 2020 | 14h19

“Ele não tem o direito de abolir o usar de máscara. Essa ação não é considerada um atentado contra a vida? Como o mundo vê isso? Isso é aceitável? Covid 19, covarde 17”

Assista à entrevista: https://youtu.be/2YQlRmrt4wo

Umas das lindas surpresas desta quarentena têm sido as lives da cantora Teresa Cristina, que vieram acalantar as nossas madrugadas. E é em todas as madrugadas. E duram um tempão.

“Todo dia maquiagem, todo dia seis cervejas, que é o que eu bebo durante as lives e enchendo a cara de salgadinho”.

Teresa conta que nelas encontrou a maneira de espantar a depressão e o fantasma do Rivotril.

O que remete a uma linda canção de Tom Jobim (Canta, Canta Mais):

Canta, canta
Sente a beleza
Canta, canta
Esquece a tristeza
Tanta, tanta
Tanta tristeza
Canta

Canta
Quem canta o mal espanta
Vai sempre cantando mais, mais
Canta pra não chorar

Qual é a live preferida, cada um elege a sua. Altos papos com a Marisa Monte, que acabou dando uma canja sensacional com “Speak Low”, Alceu Valença, Caetano Veloso…

O mais bacana é que a Teresa Cristina conseguiu trazer o espírito da roda de samba e da cultura de raiz e o que Brasil tem de mais diverso e apreciado em termos de identidade, usando simplesmente uma câmera e a sua voz, pois nem acompanhamento instrumental rola na maioria das vezes.

E o público tem respondido massivamente. Ela tinha 90 mil seguidores no Instagram antes da pandemia e agora são 300 mil. E os comentários e as paqueras não param de chegar, no que ficou já conhecido como Cristinder.

Obrigado Teresa, por fazer deste tempo difícil um pouco menos difícil.

“O samba como ele tem essa força ancestral, ele traz uma mensagem que a gente não vê. Quando você canta, quando joga essas palavras no ar você chama o seu povo, para te rodear”.

“O samba é um ambiente predominantemente machista, de base. O machismo do samba não é ocultado como o racismo é no Brasil. Ele está nas letras e em algumas atitudes. (…) E por ele não ser escondido, podemos combater ele de igual para igual.”

“É possível uma pessoa reacionária gostar do Chico Buarque; Uma pessoa que é fã da Beth Carvalho e vota no Bolsonaro, como que explica um negócio desse?”.

“O samba já nasceu sendo perseguido pela polícia”.

“O samba já nasceu de esquerda sem a gente nem saber o que era esquerda”.

“O samba sempre colocou a gente em um lugar de comunhão e de uma noção de coletividade muito grande. Uma música que você pode executar em qualquer lugar porque você não depende de eletricidade, você não depende nem de instrumento, porque se você pegar um balde e batucar já é samba, se você bater na palma da mão, já é samba”.

“O samba é muito embasado na emissão de voz. E quando ele quer passar alguma mensagem que acha importante, entra um coral de vozes. Esse coral de vozes é para dar a sensação para quem está ouvindo que aquela pessoa não está sozinha. É como se fosse um espelho da ancestralidade.”

“Esse vírus é universal, ele é mais letal do que qualquer guerra mundial porque atinge a qualquer classe social com uma diferença muito importante e um pouco drástica e triste, pois atinge a qualquer classe social mas não são todas as classes sociais que têm o direito de reagir a essa doença.”

“Se você pode chegar em casa. sentar e abrir uma live no celular, isso já é um lugar de privilégio que a gente tem. Se a gente não usar esse privilégio para dar algum tipo de alento ou proteção a que não tem esse privilégio, a gente não vai aprender nada”.

“(…) os inconsequentes do Leblon, os desavisados do Leblon, os privilegiados do Leblon. Para mim o mais cruel não é o cara que está lá arriscando a vida do outro playboy que está ao lado dele. É do empregado que está ali servindo a você, que vai limpar seu lugar depois que você sair. Essas pessoas que estão ali naquele lugar com uma porrada de playboy completamente inconsequente, são pessoas que depois vão para casa e vão levar essa “coisa” para casa. Isso é muito cruel, tão desumano, tão
ignorante. E é uma ignorância assistida, é uma ignorância em que as pessoas fazem questão de serem ignorantes. Não é que o vírus “diminuiu”, é só que as pessoas estão achando normal morrer. 62 mil pessoas”.

“Eu não espero nada do Crivella, como eu não espero nada desse genocida que está no poder. Mas ele não tem o direito de abolir o usar de máscara. Essa ação não é considerada um atentado contra a vida? Como o mundo vê isso? Isso é aceitável? Covid 19, covarde 17”.

“Conhecendo o pouco do Aldir Blanc que eu conheço, ele deve ter ajudado um pouco nisso. Porque pelo histórico do Aldir, ser homenageado por um governo de assassinos… Melhor não”.

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