Um anarquista conservador

Um anarquista conservador

Morris Kachani

15 Dezembro 2017 | 17h13

Foto: Lívia Lamana

Quando eu soube do livro do Marcelo Nova, “O Galope do Tempo”, que consiste na verdade em uma longa entrevista do líder da banda Camisa de Vênus concedida ao jornalista André Barcinski, interessei-me em procurá-lo. Antes de mais nada, porque como todo velho rockeiro que se preze, presumi que o Marcelo fosse do tipo que fala o que pensa, sem muitas papas na língua, o que sempre torna mais cativante a conversa.

E depois, ao ler o livro, deparei com algumas histórias absurdas, que aparecem compiladas em trechos ao fim desta entrevista. As drogas nos tempos em que Arembepe na Bahia, funcionava como hub global da psicodelia. A convivência com Raul Seixas. E a trajetória do Camisa de Vênus, com direito a bastidores como a fuga da banda dos domínios do SBT, em uma Kombi, ou o bate-boca com executivos da Som Livre.

Eu já fui fã do Camisa, quando era moleque. Mas confesso que não devo ter escutado uma música da banda nos últimos 20 anos… o que não afasta o interesse sobre um rockeiro histórico como o Marcelo Nova. Surpreendeu-me um trecho em particular, no qual Marcelo se define como um anarquista conservador. Ao questioná-lo a respeito, Marcelo mandou: ““Algumas vezes me parece que tenho atitudes que podem à primeira vista parecer antagônicas. Sou como Walt Whitman, contenho multidões (risos). Mas a verdade é que gosto da tradição. Tudo que é tradição me interessa. Não estou interessado no som “moderninho”. Gosto de andar de paletó e gravata. É quando me sinto elegante. Tem gente que se satisfaz com jeans e camiseta, mas isso não é para mim. Quando estou com meus sapatos italianos, aquele terno com um belo corte e uma gravata de cetim, aí sim me sinto inteiramente à vontade.”

Marcelo nasceu em 16 de agosto de 1951, em Salvador, Bahia. Começou a colecionar discos de rock aos 9 anos. Após uma viagem de três meses a Nova York, voltou ao Brasil e montou o Camisa de Vênus. Com letras anárquicas e muito diferente daquilo que era tocado na época, o punk baiano transformou a banda em sensação nacional.

Gritos de guerra como o “Bota pra fuder”, “Ô crianças, isso é só o fim”, ou músicas como eu “Eu não matei Joana D’Arc”, se tornaram clássicos.

Entre discos com a banda e trabalhos solos, foram mais de 21 álbuns gravados, muitos deles ganhadores de “discos de ouro e de platina”. Destes, vale destaque para o álbum “A Panela do Diabo”, gravado juntamente com seu amigo Raul Seixas. Em 2016, a banda lançou “Dançando na Lua”, o primeiro álbum de músicas inéditas em 20 anos. Muito bem recebido pela crítica especializada, o álbum é visto como o melhor e mais bem acabado trabalho do grupo.

Atualmente, Marcelo Nova e seus companheiros de banda apresentam o espetáculo “Toca Raul”, celebrando a antiga afinidade do líder da banda com Raul Seixas, além de tocarem os maiores clássicos que os alçaram ao sucesso.

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“Essa busca completamente insana das gravadoras pela bola da vez de alguma maneira ceifou o surgimento de novas bandas de rock no Brasil. Nós não temos um grupo novo! Antigamente você ligava o rádio, e se deparava com bandas. Na TV, havia programas e clipes de rock and roll. Isso praticamente desapareceu.”

“Pessoas ingênuas acreditam que votar em fulano ou sicrano para um mandato de 4 ou 8 anos pode ter um efeito transformador. Precisa ser muito infantil para acreditar nisso. Porque a cultura de um povo e seus hábitos não mudam do dia pra noite, serão necessários séculos e séculos.”

“O mundo está mais careta sem dúvida nenhuma. Essas histórias de assédios sexuais em Hollywood no fundo são muito engraçadas, divertidíssimas. Quem é que leva essas mulheres pro hotel? Algumas vão para quartos de atores e produtores, tarde da noite, locais estes totalmente inadequados para se tratar de negócios, profissionalmente falando. O mundo tá chato, pra cacete. Tudo é absolutamente motivo de ‘não me toques’.”

“O que é o amor? O amor é uma invenção de Walt Disney, que criou Bambi, Branca de Neve e Amor. Amor entre adultos, é coisa de bipolar. É você cobrar do outro, o que não é capaz de dar (risos)”

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Como vai a vida?

Tudo seguindo seu curso.

Outro dia li um texto do André Barcinski, que te entrevistou para o livro. Ele dizia que você é um tsunami verbal.

Falar muito é vantagem e desvantagem, sempre paguei meu preço pelo que falo. Não se trata de valentia ou destemor. É apenas uma característica. Não tenho porque me esconder. Isso provavelmente não vai mudar (risos).

Por onde tem transitado sua cabeça?

Em primeiro lugar, música, em segundo, música, em terceiro, música, e o resto vem depois. Continuo compondo porque minha fonte não secou. E continuo também ouvindo artistas mais velhos que eu, como Leonard Cohen, Dylan, Lou Reed, ou jazz através de Ben Webster, Duke Ellington e muitas coisas de blues… Ocasionalmente escutando-as, nossas cabeças ficam dois degraus acima da humanidade sem precisar de doses de whisky. Gente como  Lightning Hopkins, Elmore James, John Lee Hooker, me fazem por o pé no chão com rapidez. É a concisão do blues de origem, dos primórdios do blues…

E música brasileira?

Em termos de Brasil, continuo também ouvindo os mais velhos, como Jards Macalé, Walter Franco, Raulzito, os mesmos que ouvia. A indústria fonográfica, aqui, foi pro buraco por responsabilidade dela, porque passou a ser administrada por verdureiros, com todo respeito aos verdureiros da feira. Gente cafona com pulseira e colar de ouro, com um conhecimento muito grande de hit parade e quase nulo de qualidade musical.

Eles estão preocupados em achar a bola da vez, mas em nenhum momento se preocupam em manter o público. O Brasil tem um público de rock grande, é só ver a enorme quantidade de gente que vai aos eventos. Estou há 37 anos gravando e trabalhando, o mercado continua existindo.

Ainda se faz rock decente?

Essa busca completamente insana das gravadoras pela bola da vez de alguma maneira ceifou o surgimento de novas bandas de rock no Brasil. Nós não temos um grupo novo! Antigamente você ligava o rádio, e se deparava com bandas. Na TV, havia programas e clipes de rock and roll. Isso praticamente desapareceu. Eu te pergunto, você conhece alguma boa banda de rock?

De rock na veia, assim, não.

Pois é, agora é tudo misturado! Uma liquidificação onde todos os estilos podem ser encaixados. Até podem, mas a mim não interessa. Ou é, ou não é. Como se Muddy Waters e Beyoncé pudessem ser misturados. Ora bolas!!

Mas você acha que esta é uma questão de mercado ou de um gênero que está se esgotando?

Estou lendo um livro do Umberto Eco, que é um intelectual italiano, chamado Pape Satan Aleppe, cujo subtítulo é, ‘crônicas de uma sociedade líquida’. Ali ele aponta para a despersonalização que vem junto com a massificação acentuada a partir da internet. A voz que antes era dada às pessoas que tinham acesso a um canal, pelo talento individual, deixou de existir. Antes as pessoas tinham que passar por um processo de depuração para emitir uma opinião embasada, consistente. Para poder professar sem medo, sem temor. A internet criou um exército de imbecis que passaram a ter voz ativa, através de veementes declarações, comentários e raciocínios rasos. Se por um lado surgiu um veículo capaz de dar voz a qualquer indivíduo, por outro, a maioria não tem conhecimento de causa. Precisam da opinião do amigo, do grupo, da maioria, para ver se estão inseridos no consenso.

O que está achando do Brasil?

O Brasil é o que é, não há o que achar. Se minha memória não trai, nos últimos 70 anos percorremos todas as linhas ideológicas. Da guerrilheira Dilma, a ditadura militar, passando pelo neoliberalismo do professor FHC, o playboyismo de Collor e até JK querendo transformar o Brasil num polo industrial. E nós continuamos carentes das mesmas coisas até hoje. Agora, falar sobre o que gostaríamos que fosse, é outra conversa. Não é e não será. Porque a cultura de um povo e seus hábitos não mudam do dia pra noite, serão necessários séculos e séculos.

Pessoas ingênuas acreditam que votar em fulano ou sicrano para um mandato de 4 ou 8 anos pode ter um efeito transformador. Precisa ser muito infantil para acreditar nisso.

E tem alguma ideia de como o Brasil possa mudar?

Veja bem, eu não gosto de esportes, eu não voto há mais de 30 anos, a música que eu faço não é uma música de origem auriverde, eu sou ruim da cabeça, sou doente do pé, então talvez eu não seja a melhor pessoa a falar sobre isso.

O mundo está mais careta?

Mais careta sem dúvida nenhuma. Essas histórias de assédios sexuais em Hollywood no fundo são muito engraçadas, divertidíssimas. Quem é que leva essas mulheres pro hotel? Algumas vão para quartos de atores e produtores, tarde da noite, locais estes totalmente inadequados para se tratar de negócios, profissionalmente falando.

Não são apenas situações de hotel.

Cada caso é um caso. Mas o mundo tá chato, pra cacete. Tudo é absolutamente motivo de ‘não me toques’.

As pessoas se sentem constrangidas em falar a real. Ficam escondidas atrás de bandeiras. Sei do fascínio que as multidões provocam. Porém essas transformações sociais acabam de certa maneira redundantes. Tudo virou um baile de máscaras. Sempre gostei do individual, fora do oba-oba. Talvez por ter sido filho único, exercitei muito a minha imaginação sozinho. Não preciso de um grupo de Whatsapp e Facebook.

O que você acha do feminismo?

Quando estou de bom humor, acho engraçado. Eu não dou importância, não tenho nenhuma bandeira pra defender.

Homofobia também é um assunto que te faz rir?

É curioso, pois a palavra homofobia é usada num contexto em que ela própria não traduz. Homofobia vem de Fobos, do latim, que significa medo, pavor. Homofobia é medo de homem. Então quando ela é colocada no sentido em que geralmente é usada, se torna ridícula.

Homofobia é uma palavra que me parece completamente fora do que ela realmente pretende dizer, que está ligada a um preconceito de sexo. É um mau uso da palavra.

Isso também faz parte do pacote “o mundo tá mais chato”?

Olha, eu não tô avaliando a embalagem, mas de um modo geral, perdeu-se o sentido de aventura. As aventuras são todas virtuais, são todas traçadas e percorridas no âmbito da tecnologia. Quando criança, eu brincava com meus bonecos, tinha toda uma experiência tátil, eu colocava onde eu queria, em cima e embaixo da mesa, eu criava roteiros e situações nas quais eu pudesse me envolver. Era um exercício de imaginação.

Hoje você vai jogar videogame, ele te dá algumas opções, mas se você chegar na última etapa, ele te dá um final programado. Tá tudo muito codificado, muito automatizado, então eu, que sou um sujeito que prima muito pela individualidade, porque é com ela que eu nasci e com ela que eu vou morrer, no momento em que o coletivo me cerca dessa maneira, não só avassaladora, mas definitiva, isso tira a minha respiração, o indivíduo que vive em mim perde a respiração.

Em algum momento do livro, você comenta que é um anarquista conservador.

Acho que sim. Algumas vezes me parece que tenho atitudes que podem à primeira vista parecer antagônicas. Sou como Walt Whitman, contenho multidões (risos). Mas a verdade é que gosto da tradição. Tudo que é tradição me interessa. Não estou interessado no som “moderninho”. Gosto de andar de paletó e gravata.

Jura?

É quando me sinto elegante. Tem gente que se satisfaz com jeans e camiseta, mas isso não é para mim. Quando estou com meus sapatos italianos, aquele terno com um belo corte e uma gravata de cetim, aí sim me sinto inteiramente à vontade.

E o punk que habita em você?

Eu acho que no meu caso serviu bastante no começo da minha carreira, porque era um estímulo ao “fazer sem saber direito o que estava fazendo”. Eu acho que essa foi a grande virtude do punk rock, foi mostrar que na época em que o rock era cheio de figuras virtuosas, se você não tivesse experiência, mas tivesse força de vontade e determinação, talvez conseguisse se expressar. Por exemplo, quando montei o Camisa de Vênus, nenhum de nós da banda tinha experiência com música e isso não nos impediu de construir uma carreira. Agora, seguir aqueles dogmas, de que a música tem que ser veloz, não pode ter solo de guitarra, não pode ter solo nenhum… quando começa a ficar dogmático, eu perco completamente o interesse. Eu nunca gostei dessa coisa de uniforme, de andar todo mundo de casaco de couro, de coturno, aí vira um uniforme como outro qualquer.

Caetano, Gil, João Gilberto, todos esses caras também nasceram na Bahia. Tem algum diálogo com eles?

Não tenho nenhum.

E com o Raul?

A Bahia não é uma região do país que seja afeita ao tipo de sonoridade que eu e Raul fazíamos e ao tipo de mensagem que o rock pressupõe. O que aconteceu comigo e Raul foi uma coisa muito específica, que não está atrelada à “baianidade” ou a nenhum tipo de ligação com conterrâneos.

Como te toca o Raul Seixas hoje em dia?

Quando nos conhecemos eu já tinha uma admiração, hoje lembro dele com carinho, com a saudade de um amigo que se foi. Um sujeito bem-humorado com uma característica que sempre me impressionou. Ele era uma pessoa sem sentido de posse. Se na chuva ele estivesse gripado e alguém lhe pedisse o guarda-chuva emprestado, ele não só o emprestaria como nunca pediria de volta. Raul não tinha apego ao material.

Como ficou sua religiosidade?

Deixei de acreditar em Deus com 16 anos, quando meus pais me colocaram em um colégio semi-interno de jesuítas. A única coisa que aprendi com eles não veio através de Jesus, Deus ou Nossa Senhora. Veio de um padre chamado Conceição, que usava com freqüência a seguinte frase: “O burro, o sino e o preguiçoso só trabalham com pancada.”

Em diversas letras, você faz menção ao Diabo. Tem algo a ser dito sobre isso?

O Diabo é uma figura mitológica, uma figura que tem uma representatividade, no sentido bíblico inclusive, de ser uma força opositora ao seu próprio criador. Então torna-se, evidentemente, uma figura interessante, uma figura misteriosa, alguém que você não consegue quantificar nem dimensionar o poder.

Lúcifer era o anjo mais belo do Paraíso, e se ele era o mais belo, Deus deve ter tido seus motivos para fazê-lo assim, porque ele era a grande exceção da legião de anjos colocados no Paraíso. Já que ele tinha esse diferencial, talvez tivesse mesmo o direito de questionar por quê não teria um tratamento distinto. Mas tudo isso é reduzido por gente estúpida a castigo e recompensa, a culpa e perdão. A vida é muito mais do que podemos supor.

Você acha que não vai haver amor neste mundo nunca mais, como dizia aquela música do Camisa de Vênus?

Aquilo era uma brincadeira, em cima de uma música do Roberto Carlos. Esse que é o problema, hoje em dia levam tudo a sério…

O que é o amor? O amor é uma invenção de Walt Disney, que criou Bambi, Branca de Neve e Amor. Amor entre adultos, é coisa de bipolar. É você cobrar do outro, o que não é capaz de dar. (risos)

Sobre drogas, o que teria a dizer?

Nada de bom, nada de ruim. Cada um tem que ter sua autonomia para buscar o que deseja, apenas recomendo cuidado com a procedência e dosagem. Pode ser divertido ou terminar em tragédia.

Você ainda usa alguma?

Não, mais nada. Há dois anos parei com whisky, tomava com freqüência. Estou completamente careta. No Maximo tomo um Omeprazolzinho…(risos)

E o que você faz da vida quando não está trabalhando?

Vejo músicas e escuto filmes. Quando você começa a escutar filmes, você presta atenção no roteiro, nos personagens, nas falas. Eu ouço cinema com muita frequência e vejo músicas também, porque isso estimula, provoca o imaginário.

Adoro filmes, mas detesto ir ao cinema, então montei um no meu quarto. Sou desses colecionadores. Estou sempre sozinho, mas muito bem acompanhado. Meus amigos são Ava Gardner, Barbara Stanwyck, Robert Mitchell, Kirk Douglas, e eu os vejo com muita frequência…

TRECHOS DO LIVRO

“Uma vez li uma entrevista na revista Fatos e Fotos em que Timothy Leary dizia que o LSD era o futuro da humanidade. E eu pensava: “Porra, o cara descobrindo o futuro da humanidade e eu aqui nesta merda, tomando água de coco!”

“Alguns anos antes, Mick Jagger, Anita Pallenberg, Marianne Faithfull e Keith Richards tinham ido para Arembepe. Quando voltaram, começaram a dizer que aquilo era um paraíso pra tomar droga, e isso atraiu malucos do mundo todo. Esse roadie do Jefferson Airplane veio pro Brasil e trouxe uns 500 ácidos pra vender e custear umas férias em Arembepe. Foi dele que comprei meu primeiro ácido. Era um purple haze, e foi fantástico.”

“O ácido me estimulou a leitura. Eu comecei a ler Marcel Proust, comecei a me interessar mais por literatura.”

“Arembepe era um lugar muito bonito. Para começar, não tinha cidade, não tinha a vila que tem hoje, era um rio que corria paralelo ao mar, dunas de areia gigantescas e brancas, e estrelas e lua. Era um lugar visualmente impactante, não há como dizer que não, aquilo em noite de lua cheia deixava todo mundo alucinado, drogado então… (risos) Além dos Stones, Janis Joplin esteve lá… Acho que os Stones foram os maiores propagandistas de Arembepe, porque, imagine, os caras moravam em Londres, tudo cinza, tudo grafite, aí o cara vai parar num lugar com sol, praia, estrela, lua, coisa que pra eles era um negócio admirável. O que tinha de gringo em Salvador nessa época era impressionante: italiano, inglês, americano, francês, todos de cabelo grande, todos alucinados querendo encontrar o paraíso na Bahia. (risos)”

“Nenhum hábito baiano, nenhum, nada da cultura baiana me interessava.”

“O discurso de Raul era a antítese de tudo o que era cantado na MPB, não importa por quem.”

“Raul era o xerifão, o cara que chegou e disse: “É o seguinte, eu vou mandar é bala, entendeu? Não estou a fim de compactuar com nada disso, meu negócio é entrar no saloon e chutar a bunda do mocinho!” Ele fez isso muito bem.”

“Que bullying que nada, nós resolvíamos tudo isso na base da porrada. Bullying é papo furado. Quando você botava o rabo entre as pernas tinha sempre alguém do seu lado dizendo: “Que porra é essa, velho, que merda é essa, você é um homem ou uma galinha?”, então você ia pra cima, dava porrada, tomava porrada, mas encarava.”

“Eu estava lendo a biografia de Pete Townshend, e lá ele diz que o primeiro homem por quem se sentiu atraído foi Mick Jagger, e eu dei risada, porque nunca me senti atraído por homem nenhum! Numa hora dessas, você não pode nem falar isso, porque é logo acusado de preconceituoso, de homofóbico, entendeu? Se é isso, então o meu rabo é preconceituoso, sacou? (risos)”

“Apesar de toda essa inclinação que eu tinha para ousar artisticamente e individualmente, de explorar caminhos novos e arriscados, de utilizar produtos que alteravam a consciência e outras coisas mais, sempre fui um cara que preservava a envergadura moral. Adoro jantares com mesas grandes e toalhas trabalhadas, taças de cristal para tomar Moet & Chandon, talheres de prata portuguesa que minha avó tinha e deixou para minha mãe.”