A prédica de Marco Feliciano

A prédica de Marco Feliciano

Morris Kachani

21 Maio 2018 | 09h15

Conversar com o pastor e deputado Marco Feliciano (Podemos – SP), pelo menos para mim, é como entrar em contato com o que pensa uma parcela considerável dos partidários de Jair Bolsonaro (PSL-RJ), hoje líder das pesquisas em um cenário sem Lula no páreo.

A estridente parceria entre Feliciano e Bolsonaro ganhou contornos de alcance nacional quando o primeiro presidia a Comissão de Direitos Humanos, em 2013, e o segundo se dizia “seu soldado”.

A diferença, segundo conta Feliciano nesta entrevista, é de que nele você vai encontrar uma espécie de Bolsonaro mais equilibrado, sem temperamento agressivo. “Nossas posições podem ser iguais, mas nossas atitudes são diferentes”, diz.

Conversar com Feliciano é, também, uma maneira de conhecer as crenças e valores de uma certa vertente muito popular entre os evangélicos – que, aliás, juntando todas as denominações, formarão a maioria religiosa do país dentro de mais uma ou duas décadas, de acordo com estimativas do IBGE.

Com ares de Pop Star (seu canal de YouTube conta com 110 mil inscritos; no Twitter, são 518 mil seguidores; 4,4 milhões de curtidas no Facebook; e 995 mil seguidores no Instagram), ele entrou na sala reservada para nossa entrevista, no piso intermediário do hotel Ibis, na Marginal Tietê, em uma sexta-feira à tarde.

O ar condicionado sobre a mesa o incomodou.

“Estou afônico”, explicou. “Preciso cuidar da minha voz. São muitas prédicas por semana”.

“Quantas?”, perguntei por curiosidade.

Na medida em que ele ia contando, entusiasmado (“1, 2, 3, 4, 5, 6, por São Paulo e pelos interiores do estado”), fui me perguntando como fazia para conciliar com a atividade de deputado. Ele explicou que de terça a quinta-feira permanece em Brasília, e de quinta a domingo, dedica-se aos cultos religiosos.

Conversamos cordialmente por cerca de duas horas. Entendi que, para ele, a Ditadura Militar não passa de uma grande mentira doutrinadora, que o ex-presidente da Câmara dos Deputados e hoje preso Eduardo Cunha é um de seus heróis, que Marina Silva é uma “evangélica de fachada”.

Que direitos em excesso para os homossexuais é um erro e que discutir a questão do aborto é impensável, em qualquer circunstância.

Entre conversas sobre sua preparação para concorrer à reeleição ao cargo de deputado federal nas eleições de outubro, Feliciano aplaudiu Marcio França, atual governador de São Paulo, pelo discurso enaltecendo a ação da policial militar Katia da Silva Sastre, que matou um bandido na porta de uma escola, há uma semana.

Muito mais Feliciano disse durante a entrevista – algumas, confesso, tive até dificuldade de compreender.

Mais do que indignação, depois fiquei pensando, o que essa conversa pode despertar é preocupação. Para alguns, obviamente. Para outros muitos, júbilo.

Entrevista a André Dominguez do Carmo e Morris Kachani

Qual é a sua visão sobre o momento político brasileiro?

Caótico e sem luz no fim do túnel. E a imprensa tem um papel fundamental no momento pelo qual o Brasil passa. Não está mais nas mãos dos políticos.

Ah, não?

Está nas mãos da imprensa, porque é ela que dita as pautas do país. A imprensa tem a força do povo nas mãos. Atualmente, a grande mudança passa pelo povo. E o povo segue a imprensa. Só que a imprensa livre precisa ser imparcial, isenta. Não pode ser tendenciosa. Exemplo simples: imagine que um cidadão atropela uma mulher grávida. Vai sair na imprensa a seguinte manchete: “Homem atropela mulher grávida”. Se esse homem for evangélico, a manchete vai mudar: “Pastor atropela mulher grávida”. Por que toda vez a imprensa se refere a mim como “o pastor Marco Feliciano”? Não que eu tenha vergonha do título de pastor, é a maior honra que eu tenho. Mas quando falar do político Marco Feliciano, por que citar o pastor Marco Feliciano? Há muito preconceito.

A televisão ainda é muito relevante para alavancar campanhas políticas?

Já foi muito, mas eu acredito que não mais. Pela internet você fala direto com as pessoas. Vídeos meus, em mídias sociais, incomodam a Rede Globo. Como um vídeo, de uma mídia social, de um cidadão comum que não tem força nenhuma, pode incomodar uma gigante como a Rede Globo? Então não subestime as redes sociais.

Como vê a Rede Globo?

A Rede Globo sempre foi de vanguarda e sempre chutou com os dois pés para agradar a gregos e troianos. Não na época do doutor Roberto Marinho. O doutor Roberto era um homem de posicionamentos, centrado, conservador. Mas, hoje, a Globo faz um mal sem tamanho para o Brasil, principalmente para a estrutura da família brasileira. Eles pegam muito pesado a respeito de família, a respeito de evangélicos. Toda vez que aparece um evangélico na novela ele é louco ou extremamente irracional. Eu entendo que a Globo tem a mim como inimigo.

É um mau negócio ser político no Brasil?

Sinceramente, é. Porque na política você já ganha perdendo. Nós vivemos um momento em que o povo pensa que todo político não presta.

Estamos em um ano eleitoral…

Veja só que situação. Quem são os nomes para a Presidência da República? Jair Bolsonaro e Ciro Gomes são os similares antagonistas, porque ambos são contundentes naquilo que falam, só que um à direita e o outro à esquerda. O Geraldo Alckmin está destruído pela sombra do Aécio Neves. Quem mais?

Marina Silva?

A Marina só aparece de 4 em 4 anos. Ela veio com a missão de representar os evangélicos e a Igreja descobriu nela uma “evangélica de fachada”, dentro do nosso pensamento conservador. Ela apoia toda a pauta da esquerda. A Marina é tão de esquerda que o Partido dos Trabalhadores não lhe serviu. Ela criou um partido só dela, um partido mais radical do que o PT, que é a Rede Sustentabilidade. A Marina não consegue transformar a fé dela em bandeira. Quando questionada sobre o aborto, ela é dúbia nas respostas. Quando questionada sobre o casamento homoafetivo, ela é dúbia nos pensamentos. E o evangélico, o cristão, o católico quer uma pessoa que seja clara.

É impossível ser evangélico e ser de esquerda, ser progressista?

É impossível que o verdadeiro evangélico, o verdadeiro cristão seja de esquerda. Agora até temos os evangélicos conservadores e os evangélicos progressistas. O [pastor evangélico] Ariovaldo Ramos é o “pastor lulista”. Quando eu vejo um pastor dizer que é socialista, de esquerda, ele está cometendo um erro gravíssimo. Pois ele instrui os incautos a seguirem esse pensamento. Eu não consigo conceber essa ideia.

Você e o deputado Jair Bolsonaro são bastante próximos.

Eu sou muito amigo do Bolsonaro, construímos uma imagem juntos. A diferença é que você vai encontrar em mim um Bolsonaro mais equilibrado, sem temperamento agressivo. Nossas posições podem ser iguais, mas nossas atitudes são diferentes.

Existem dois Bolsonaros: um antes e um depois de Marco Feliciano e falo isso sem pretensão. Comissão de Direitos Humanos (CDH), 2013. Em pauta, o movimento LGBT. Como presidente da CDH, eu consegui unir o movimento cristão quase como um todo: católicos e evangélicos vieram em minha defesa. Porque ali na CDH não era o Marco Feliciano. Era a pauta conservadora do cristianismo.

O meu papel foi decisivo para o momento que estamos vivendo. Mas como ninguém do Parlamento vinha em meu socorro, com raríssimas exceções, o Bolsonaro colou em mim e virou o meu soldado. Até aquele momento, o Bolsonaro era uma figura caricata no Congresso. Até que ele começou a ir para cima e a fazer o enfrentamento. A pessoa batia em mim, eu ficava quieto, mas o Bolsonaro respondia, agressivo. E, assim, ele foi chamando a atenção do povo. Deu no que deu e veja onde o Bolsonaro está.

Bolsonaro é um radical, um político de extrema direita?

Ele é um homem de direita, de posturas, de posicionamentos extremamente fundamentados, mas não é da extrema direita. Ele fala o que não é politicamente correto. E o politicamente correto está acabando com o nosso país, porque acaba com um dos maiores direitos do ser humano dentro de uma democracia: a liberdade de expressão. O Bolsonaro fala o que pensa. É claro que existem várias maneiras de dizer aquilo que se pensa, mas como o Bolsonaro fala para o povão, ele diz o que o povo queria falar, mas não pode por causa do patrulhamento, que é chato demais. E o povo quer ver o Bolsonaro na briga. Quando ele começa a melhorar a imagem dele, quando ele fica mais light, ele deixa de ser o Bolsonaro.

Ele tem preparo para ser presidente?

O líder se faz em momentos de necessidade. Basta ter boa vontade e traquejo político. Acho que o Bolsonaro tem que trabalhar muito nisso, no traquejo político. O que eu tenho para falar é que o Bolsonaro é um grande homem, camarada, gente boa e cheio de vontade de mudar o país.

Outro parlamentar que marcou a sua trajetória política foi o Eduardo Cunha.

Eu sempre fui amigo do Eduardo Cunha e o ajudei na campanha dele no Rio de Janeiro. Acho que sou o único parlamentar que faz a minha campanha e a campanha dos outros. Já que sou conhecido a nível nacional, o povo vem me ouvir.

Como é a campanha evangélica? Nós apresentamos a pessoa nas igrejas, digo que aquela é uma pessoa conhecida, um cristão que defende os nossos valores. No RJ eu ajudei o Eduardo Cunha; em Pernambuco, ajudei o Anderson Ferreira, hoje prefeito em Jaboatão dos Guararapes; em Manaus, ajudei o Silas Câmara [deputado federal pelo Amazonas].

Você recomenda, mesmo?

Quando termina a pregação eu digo que trouxe comigo um amigo que luta pelas nossas causas e eu peço para os fiéis orarem por ele. Não peço voto, porque seria profano demais. Agora, para mim, o Eduardo Cunha foi um herói. Sem ele, não teríamos o fim do PT.

Bem, o Eduardo Cunha está preso…

Comigo ele sempre foi correto. Sempre foi irmão. O Congresso caminhou em pautas conservadoras por causa do Eduardo. O aborto, a ideologia de gênero… sem a mão dele a gente não teria chegado… O Eduardo foi um grande ajudador das bandeiras da família brasileira. Eu não posso ser leviano. Chutar cachorro atropelado é fácil, diria a minha mãe.

O que tem achado da atuação do Supremo Tribunal Federal?

O Judiciário tem que guardar a Constituição. Mas o STF está criando Propostas de Emenda Constitucional (PEC) sem passar antes pelo Parlamento. O casamento gay é um exemplo. A Constituição diz uma coisa e o STF entende outra. Nós temos três poderes no país. E esses três poderes teriam que caminhar em paralelo, sem que um interfira na existência do outro. Quando você vê um desses poderes crescer mais do que os outros, isso é muito perigoso. O STF, hoje, tem superpoderes.

Qual é a sua questão com o casamento gay?

Eu respeito homossexuais, mas não respeito ativistas LGBT. O ativista é aquele que ganha dinheiro para lutar por isso. Eu respeito homossexuais porque tenho amigos homossexuais que frequentam a minha casa. Tenho amigas lésbicas, tenho amigas que moram juntas.

E se essas suas amigas quisessem se casar?

Se elas querem se casar? Por que não foram feitas audiências públicas de gays para a comunidade discutir o assunto? Veja, desde que se aprovou o casamento gay, quantos casamentos tiveram? Pouquíssimos. Essas são apenas brigas políticas para dividir o povo.

O Brasil é o país que mais mata pessoas da comunidade LGBT no mundo. A cada 19 horas uma pessoa LGBT é assassinada.

Se não me falha a memória, em 2012 foram mortos entre 270 e 280 homossexuais [segundo o Grupo Gay da Bahia, mais antiga organização de defesa de homossexuais do Brasil, em 2012 foram assassinados 338 integrantes brasileiros do chamado grupo LGBT]. Curiosamente, no mesmo ano, o Brasil teve 53 mil assassinatos [de acordo com o Ministério da Saúde, foram cometidos 56.337 homicídios em 2012]. Eles fazem parte de uma sociedade violenta. Ninguém deve morrer por causa da sua orientação sexual, por causa da cor da sua pele, por causa da sua religião. Isso é vilania, é animalesco. Só que nós vivemos em uma sociedade doente. A culpa é da sociedade, que se cala quando tem que falar e fala quando tem que se calar.

Para você é natural ou é uma desvirtuação alguém ser homossexual?

É normal. Mas eu fiquei rotulado como o mestre da “cura gay”. Maldade da imprensa e do movimento LGBT. Não tem cura para aquilo que não é doença. Para mim, a homossexualidade não é doença, é um fenômeno comportamental. [Sobre a “cura gay”, ainda em 2013, quando era presidente da CDH, Feliciano declarou que: “não podemos tolher o direito de um profissional, como um psicólogo, de estudar um assunto que ainda não se colocou nele um ponto final, ainda é uma incógnita, ainda é um fenômeno”].

Quando a filósofa americana Judith Butler veio a São Paulo, no ano passado, para uma palestra no Sesc Pompeia, houve uma reação muito agressiva por parte da militância conservadora que, inclusive, chamou-a de bruxa e queimou bonecos com o rosto dela.

A esquerda fez escola. O conservador não é assim. O conservador é quieto, é prudente, inclusive no falar. Só que veja a que ponto chegamos. A esquerda nos ensinou como lutar.

E a questão das mulheres e da representatividade feminina?

No aspecto político elas merecem cota. Na questão salarial é um absurdo que o homem ganhe mais do que uma mulher se ambos fazem o mesmo trabalho. Mas não é só disparidade entre homem e mulher, é entre homem e homem, também. A justiça tem que ser para todos. O que eu não consigo compreender é o seguinte: homens e mulheres têm direitos iguais, não tem? Então por que se cria a Lei do Feminicídio? Se você matar um homem, você fica X tempo preso. Se você matar uma mulher, X-mais-não-sei-quanto-tempo preso. Para quê? Para que criar uma lei para se alguém matar um homossexual, se todos são seres humanos e estão enquadrados dentro da lei? Antigamente, as mulheres eram enquadradas no crime de ódio. Hoje, criou-se a Lei do Feminicídio. Só que você começa a dar mais poderes para alguns…

Historicamente, as mulheres são desfavorecidas.

Em alguns aspectos, sim. Eu sou a favor de cotas para negros, porque eu conheço a história: 300 anos de escravidão. Se estão dois correndo, um negro e um branco, o branco tem 300 anos de vantagem na frente do negro. Como é que os filhos dos negros vão alcançar os filhos dos brancos? Nunca. Então cria-se uma cota com prazo estipulado, para tentar igualar. Até aí tudo bem.

O problema é que, quando você cria uma lei para proteger um grupo, você tem que ver o que essa lei vai fazer com outro grupo. Você não pode criar uma lei justa para alguns e injusta para outros. Um exemplo: a lei do estupro. A lei do estupro é um perigo. Hoje, a lei do estupro é tão estranha, que ela não é mais sobre conjunção carnal: é ato libidinoso. É justo isso? Qual é o equilíbrio? Conjunção carnal. Violência. Como é que você prova? No mesmo dia, terminou o ato, vá a uma delegacia.

A pessoa estuprada pode ficar em sofrimento, abalada, traumatizada. Pode não procurar uma delegacia imediatamente.

Esses são os argumentos. Então ela pode, mais tarde, mentir e destruir a vida de outra pessoa? O complexo é educar a pessoa. Praticaram uma violência contra você? Não tenha medo. Todas as vezes que tem um projeto lá em Brasília para proteger as mulheres é um Deus nos acuda. Quem não quer proteger as mulheres? Nós dissemos que a mulher é mais frágil, mas elas não. Elas dizem que são iguais ou melhores que nós. As feministas são maiores que nós. Só que elas usam a fragilidade para conseguir o poder e quando têm o poder, oprimem a gente.

Você falou de um país à deriva e do politicamente correto. Quais são as pautas conservadoras?

O que nos preocupa muito, hoje, é a questão do aborto. Seria a questão urgente, porque está nas mãos do ministro Luís Roberto Barroso. Ele é progressista e já falou em entrevistas que é a favor do aborto até a 12ª semana de gravidez. Doze semanas são três meses. Nesse tempo, a criança já está pronta, já é um ser vivo que só precisa desenvolver o seu crescimento. Eu sou cristão. E como cristão eu defendo a Bíblia. Mas como parlamentar eu defendo a Constituição: a vida é um bem inalienável. A vida tem que ser protegida desde a concepção. Nesse assunto eu sou radical. Eu defendo a vida. Para mim a questão do aborto já está definida na lei.

Não é crueldade para uma mulher vítima de estupro carregar um filho da pessoa que a violentou?

Eu sinto muito por essa mulher ter passado por essa provação. Todavia, o que está dentro dela já é uma vida. E não importa se foi feita por estupro, por inseminação artificial ou por uma noite de amor. Aquele indivíduo que está dentro da barriga da mulher, que foi gestado, não tem como se defender. A criança sente dores. Para mim, a questão do estupro não é só moral. Em um país em que a gente protege um mico-leão-dourado, uma tartaruga, como crime inafiançável, por que a gente não deve proteger um bebezinho que não tem culpa de ter sido concebido? Porque, se a mulher tivesse a mente aberta, ela poderia tomar a pílula do dia seguinte, que teria evitado que o bebê fosse concebido. Para mim é uma loucura. A vida tem que ser protegida.

A onda conservadora parece estar avançando.

Graças a Deus. É uma onda mundial. A política é um pêndulo que tem dois extremos: esquerda e direita. O pêndulo começa no centro e vai para a esquerda, ninguém o para e o pêndulo vai até bater na extremidade esquerda. Depois, porque não tem mais para onde avançar, o pêndulo começa a voltar. Esse é um movimento mundial. Temos o Donald Trump nos Estados Unidos, o Mauricio Macri na Argentina, entre outros.

Você é fã do Donald Trump?

Eu gosto dele. Posso não concordar com tudo, mas ele tem alguns posicionamentos que eu tomaria no Brasil. O assunto Israel, por exemplo. Ele conseguiu dar a Israel a legitimidade da sua capital. E comprou briga com o mundo inteiro. Então, um homem para fazer isso tem que ter coragem demais, porque não é politicamente correto. Foi contra a Organização das Nações Unidas, que representa a esquerda, que tem um pensamento extremamente progressista e que é de onde vêm as pautas que o conservador não gosta.

Trump tem coragem e ele tomou algumas boas atitudes nos EUA. Logo que assumiu, por exemplo, do dia para a noite ele retirou um link do movimento LGBT que estava no site da Casa Branca para mostrar que isso não é uma bandeira de governo e que já existem direitos demais. Nós temos que criar agora um movimento de deveres. Quais são os deveres? Se cada um soubesse quais são os seus deveres, nós não precisaríamos de direitos.

E o Barack Obama?

O Obama era mais de esquerda do que a esquerda. Era the left. O Obama quebrou os EUA, quebrou a América do Norte. Porque a esquerda é isso, o socialismo é assim.

Falando um pouco sobre segurança…

Eu sou contra o desarmamento. Eu sou a favor de que o cidadão de bem, que tenha passado por um crivo, que tenha feito um curso, que tenha passado pela mão de um psicólogo, tenha uma arma dentro da sua casa para que ele possa defender o seu pequeno reino e os seus súditos, a sua família – o bem mais precioso que o homem tem.

O que dizer sobre a PM Katia da Silva Sastre, que matou o bandido na frente de uma escola?

Ela é minha heroína. Não por ter matado o criminoso, mas por ter agido em defesa das mulheres e crianças que estavam em risco. Aquele cidadão não era um coitadinho.

Mas ela também deu sorte. Porque daquela situação poderia ter saído uma tragédia. A arma do assaltante travou.

Ela agiu no impulso. Acho que existem coisas que a própria mão de Deus faz, para proteger as mulheres e as crianças que ali estavam. O governador de São Paulo, o Márcio França, é do PSB, socialista, à esquerda. Eu sou conservador, mas eu tiro o meu chapéu, porque em um único ato ele fez mais do que todos os governadores anteriores fizeram pela segurança pública. Ele levantou o moral da polícia que está tão desprestigiada, porque há um movimento de caluniar as polícias, o exército.

Qual balanço você faz do ensino nas universidades públicas do país?

As universidades horríveis do Brasil são as universidades públicas. O Mackenzie e a FAAP não estão horríveis – são particulares. Se a faculdade pública é o lugar para debater o intelecto, para fazer as pessoas crescerem em pensamento, então por que as universidades brasileiras não fazem mais isso? Tem 20 anos que o Brasil não dá uma peça intelectual para o mundo (sic). O Brasil gera revolucionários. O menino sai de casa, com a roupinha arrumada, passou na USP… Dentro de um ano a família não reconhece mais o filho, porque a pessoa é completamente transformada, é caracterizada de uma forma que você identifica como progressista, como de esquerda. Os professores universitários deixaram de ensinar e passaram a educar, a doutrinar.

Você se refere muito a esquerda. Como você define a esquerda?

A esquerda é o revolucionário, é aquele que faz a crítica pela crítica, sem solução. Se você apresentar a cura do câncer, eles vão arrumar algum probleminha, porque não foram eles que criaram. A esquerda não tem projeto de governo, tem projeto de poder.

Separação entre a Igreja e o Estado. Como é isso na sua cabeça?

Para mim isso está definido na própria Constituição: o Estado é laico. Ou seja: o Estado não pode interferir na minha religião. O que as pessoas confundem é um Estado laico com um Estado laicista, com um Estado ateu. O Brasil não é um Estado ateu. Você tem o direito de adorar uma pedra, adorar a Deus ou não adorar nada. E o Estado não pode interferir nisso. Mas o Estado laico não é um Estado ateu, porque se fosse um Estado ateu, não haveria no preâmbulo da Constituição Federal aquela parte que fala “sob a proteção de Deus…”

Isso é um erro?

É a liberdade religiosa. O Brasil é uma democracia. Quem é que ganha? A maioria. Essa é a democracia. Em um país de maioria cristã, fundado por cristãos…

Você se incomoda com a imagem do Cristo dentro do Congresso Nacional ou do STF?

A imagem do Cristo pode até ser questionada, porque ela representa o cristianismo, é o Deus dos cristãos. Só que isso não incomoda ninguém. Até porque 88% da população brasileira se declara cristã, é conservadora. O brasileiro é por si só conservador. Então o Estado é laico, mas o povo é de maioria cristã. E se você não reconhece Cristo como Deus, ao menos o reconheça como filósofo.

Mas também é preciso reconhecer que as religiões legislam.

É uma democracia. O Parlamento é uma democracia. Tem representatividade. Se o banqueiro pode mandar o representante dele, se o índio pode mandar o representante dele, se os homossexuais podem mandar o Jean Wyllys, então por que a igreja não pode mandar os representantes dela? É o povo. O preço da democracia é alto e todo mundo já sabia disso desde o princípio. A democracia custa muito caro.

A cobrança do dízimo é algo muito criticado quando se trata das igrejas evangélicas.

Atrela-se o dízimo ao roubo. O dízimo existe em todas as religiões, inclusive na Igreja Católica. O dízimo existe em partidos políticos, as pessoas contribuem com os partidos. Os sindicatos cobram. Como as igrejas sobrevivem? A Igreja Evangélica não tem apoio do Estado, não tem o apoio de ninguém…

Mas as igrejas são livres de impostos.

São livres de impostos porque nós produzimos para o Estado. O Estado não consegue recuperar um bandido, a Igreja Evangélica consegue. O Estado não consegue recuperar um drogado, a Igreja Evangélica consegue. Os hospitais que mais funcionam no Brasil são ligados a Igrejas Católicas. As casas de recuperação são, em sua maioria, ligadas a alguma religião. Existem igrejas que extrapolam? Existem. Mas é o joio que está no meio do trigo. Por que eu não posso dizimar? Por que eu não posso dar para a Igreja, de livre e espontânea vontade, aqueles 10% do meu ganho?

Sergio Moro. Não podemos deixar de falar sobre ele.

O juiz Sergio Moro é o meu herói. É ele que tem coragem de fazer justiça no Brasil, hoje. Porque até do STF eu tenho medo. Todos que o juiz Moro mandou prender, o STF mandou soltar.

De uns dois meses para cá, os militares têm aparecido com frequência no jogo político e eleitoral. Como você vê essa questão?

O exército voltou a ter o carinho da população por causa da internet. Porque as coisas eram escondidas e hoje tudo é público. Eu os vejo crescendo, tem um militar concorrendo e ele está na crista da onda. E acredito que eles vão crescer. Porque o povo viu como é essa bancada conservadora na Câmara, a bancada BBB (Bíblia, Bala e Boi). Nós começamos a falar, ninguém mais tem medo de falar no Parlamento. De alguma forma, nós começamos a abrir a mente do povo.

Quantos parlamentares formam essa bancada BBB? Vocês estão sempre juntos, votam juntos?

Somos mais de 360 deputados. Por sermos conservadores e prudentes, não temos unidade. Mas sabemos o que defendemos. Não somos unânimes em tudo. Nem na bancada evangélica somos todos juntos. Tem a Benedita da Silva, do PT, e ela nunca nos acompanha nos nossos votos.

Falemos sobre os papéis da CIA sobre a Ditadura Militar no Brasil, que revelaram…

Qual ditadura? Não teve Ditadura Militar no Brasil. Essa é a maior mentira contada e impregnada na cabeça das nossas crianças nos últimos 30 anos e com o objetivo de destruir o moral do Exército Brasileiro. O Brasil teve um Regime Militar convocado pelo Congresso Nacional. Os militares não tomaram o poder, não teve golpe em 1964. Fala-se em mortes na ditadura. Mortes na ditadura? Só nesses 13 anos de regime do PT, quantos foram assassinados no Brasil por violência? Eu sou contra a censura. Todavia, quando você abre demais uma coisa e não tem ninguém que grite, que coloque o pé na porta… Veja o caso daquela criança que tocou um artista nu em uma exposição.

Para você, a praia de nudismo é uma aberração?

Eu não vou chamar de aberração. Para mim, na praia de nudismo o ser humano desnuda o seu lado primitivo. E o lado primitivo do ser humano é muito perigoso. Então, a praia de nudismo é a exposição do lado primitivo. O homem moderno foi exatamente criando leis para que esse lado primitivo fosse sendo extinto, para que o homem fosse se tornando um homem civilizado.

Como você está se preparando para as eleições do outubro?

No momento eu estou preocupado com a minha reeleição, para ver se eu consigo fazer uma reeleição histórica. A princípio, eu estou lutando para ser reconduzindo à Câmara dos Deputados. Só que eu quero ir com uma expressão de votos. Se Deus resolver me dar 1 milhão de votos… Eu vou ficar feliz. Talvez eu tenha de fato a representatividade de pessoas que hoje pensam em política por uma bandeira. Então, se eu cresço nas pesquisas, eu posso até começar a pavimentar uma estrada para o futuro. Quem sabe para a Presidência da República.