Afrodescendencias e Negritudes

Afrodescendencias e Negritudes

José Vicente

10 Agosto 2015 | 21h38

A cada dia fica mais definitivo que o mundo caminha rapidamente para se tornar uma pequena caixa de fósforos e que todos nós iremos nos encontrar ali, na próxima esquina dum planeta chamado terra, ou quem sabe num dos tais Kepler- 22-B, como a NASA tem denominado alguns desses novos mundos que as nossas engenhocas no espaço sideral descobrem aos borbotões todos os dias.
Todos os sons, todas as magias, todas as histórias e todas as vivências nunca estiveram tão interligadas quanto na atualidade. Nunca esteve tão evidente de que somos um só e que caminhamos num mesmo sentido, numa mesma direção. Somos afinal parte duma grande nave a caminho do desconhecido, ou dos tais Klepper -22.
Mas um pequeno olhar em algumas das esquinas da terra já nos disponibiliza material suficiente para as mais apaixonantes abordagens nesse verdadeiro caleidoscópio gigante que somos nós povo da terra. Nelas, damos de frente com as mais diversas, diferentes e contraditórias histórias, itinerários e travessias. Algumas únicas, muitas inusitadas e tantas quase que impossíveis.
E tem um lugar rico e inóspito do qual temos muitas poucas informações e de onde, além de conhecermos e sabermos muito pouco, fomos acostumados a construir juízos e percepções ambíguos e preconceituosos, a priori.
A Afrodescendencia é assim um convite para um olhar exploratório para esse fantástico universo que interliga milhares de pessoas, nações, culturas, histórias e esquinas. Seja de um dos mais de cinquentas países da mãe África, de onde nós negros brasileiros somos provenientes, seja dos Estados Unidos, França, Inglaterra; seja do Paraguai, Argentina, Equador, Colômbia, Venezuela, Peru, ou de qualquer esquina do Brasil, onde os negros integram suas paisagens e são representação dessa longa e tortuosa história.
E é a negritude entendida na intenção e na luta de apropriar desse pertencimento e internalização dessa historia e desse legado, o cimento que tem construído pontes e tem servido como fio condutor dessa resistência e dessa construção.
Viva as Afrodescendencias, Viva as Negritudes !!!
Para saudá-las e tentar descobrir e compartilhar juntos todas essas riquezas e suas contradições, esse será o lugar a partir do qual vamos pretender recortar e traçar um fio condutor dessas duas dimensões empolgantes e enriquecidas de abordagem das várias realidades reluzentes que se escondem nos detalhes, ou que talvez sejam mesmo desconhecidas de muitos de nós.
Aliás, inicio compartilhando com todos vocês um dos momentos de grande construção dessas dimensões. Essa foto ilustra o encerramento do Encontro Anual da Rainbow Push Colision, organização americana de luta pelos direitos civis, sediado na cidade de Chicago/USA, comandada pelo Reverendo e ex Senador americano Jesse Jackson.

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Nos cinco dias de muitos debates e reflexões, com a presença de personalidades negras de várias partes do mundo, entre elas a primeira dama da África do Sul, Nompumeleto Ntuli Zuma e o próprio Jesse Jackson, a conclusão final indicou o que nós sempre soubemos, defendemos e temos trabalhado ao longo de toda nossa existencia: sem educação não haverá liberdade, nem tolerância, nem cidadania, nem vida nem segurança para todos.
A alegria foi ainda maior, para mim. Na sessão de premiação, a Universidade Zumbi dos Palmares foi a organização brasileira que recebeu a mais alta distinção pelos relevantes serviços prestados à inclusão, qualificação e valorização do negro brasileiro.
Como dizem por aqui, noites de só alegria.
Bem-vindos assim, aos nossos vários encontros às nossas várias descobertas.
Bem vindos às afrodescendencias, bem vindos às negritudes…
Boa leitura a todos.