Aprendemos muito com 11 de Setembro, mas não o suficiente

Aprendemos muito com 11 de Setembro, mas não o suficiente

Paulo Silvestre

11 de setembro de 2021 | 07h33

Onde você estava quando aconteceram os ataques de 11 de setembro de 2001?

Eu me lembro em detalhes daquele dia.

Há exatos 20 anos, eu chegava para mais um dia de trabalho na America Online. Quando a porta do elevador se abriu, uma grande amiga saiu consternada e me disse: “um avião bateu no World Trade Center”.

Enquanto subia os andares, eu pensava: “como o piloto de um avião pequeno pode ser tão ruim a ponto de bater em um prédio daquele tamanho?”

Quando eu cheguei na redação, vi todas as TVs ligadas com a imagem da Torre Norte em chamas. Foi quando me dei conta que não era um avião pequeno de um piloto descuidado: aquilo só poderia ser um avião de grande porte.

A essa altura, ninguém cogitava minimamente um atentado terrorista. Foi quando, 17 minutos depois do primeiro impacto, um segundo Boeing 767 acertou em cheio a Torre Sul. A situação era tão improvável que me lembro da repórter da CNN dizendo: “meu deus, os destroços do avião caíram de uma torre na outra!”

Pensei: “mas isso não é possível de acontecer, não depois de tanto tempo.” Foi quando começamos a perceber que aquilo não era um acidente: era um ataque. E, para não sobrar nenhuma dúvida, 34 minutos depois, um Boeing 757 atingiu o Pentágono. Um segundo 757, destinado a atingir o Capitólio, caiu em um campo da Pensilvânia 24 minutos depois, pois os passageiros e a tripulação tentaram recuperar o controle da aeronave dos terroristas.

Estávamos incrédulos e desnorteados. Apesar de estar no escritório brasileiro, eu visitava a sede da AOL em Washington DC. Tinha muitos amigos lá, que estavam em pânico. Os brasileiros queriam voltar para cá de qualquer jeito, mas não podiam pois nenhum avião decolaria do território americano por muitos dias.

Em meio a tanta dor, nós tínhamos que cobrir tudo aquilo. A audiência em todos os portais bateu qualquer recorde imaginável. O serviço da AOL foi o único que não caiu entre todos os grandes portais brasileiros.

Apurávamos e escrevíamos com um nó na garganta. Vários choraram. Na época, eu atuava como gerente de projetos, não como jornalista. Mas, naquele momento, estávamos todos unidos por aquela dor dilacerante.

O século XXI só começou mesmo naquele dia. Foi o fim da época da inocência. O mundo nunca mais seria o mesmo e o terrorismo chegaria às cidades do Ocidente com força.

Os EUA fizeram várias guerras, caçaram terroristas e derrubaram tiranos. Mas hoje, 20 anos depois, vemos sua retirada desastrosa do Afeganistão, com a volta do Talibã ao poder local.

O que aprendemos nessas duas décadas? Muito! Muito mesmo! Mas, quando vejo o acirramento dos ânimos, o egoísmo, a polarização do povo, o ódio desmedido contra os iguais… sinto que não aprendemos o suficiente.

Fico feliz de ter contribuído com informação naquele tempo sombrio e por continuar a fazer o mesmo hoje. Apenas assim podemos sair disso.

 

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