Como ganhar muito com pequenos influenciadores digitais (até mais que com os grandes)

Como ganhar muito com pequenos influenciadores digitais (até mais que com os grandes)

Paulo Silvestre

27 Abril 2017 | 23h39

Imagem: foilman/Creative Commons

Você provavelmente já ouviu falar deles: os influenciadores digitais. Eles são a bola da vez das campanhas de marketing e todo tipo de empresa quer usar sua influência para ficar bonita na foto com seus clientes. Mas a verdade é que poucas empresas ou agências sabem como tirar real proveito desse poderoso recurso. Tanto que a maioria ignora aqueles que podem trazer o maior retorno para esse investimento: os pequenos influenciadores.

Para quem não sabe direito o que são os influenciadores digitais, eles são produto da explosão do uso das redes sociais. São pessoas que, até há bem pouco tempo, eram completas desconhecidas, mas que, graças ao seu talento e a sua capacidade de usar os recursos digitais, tornaram-se celebridades da noite para o dia. Chegando a ter milhões de fãs, muitos viraram queridinhos de empresas, pela sua capacidade de sugerir a seus seguidores a aquisição de produtos de todo tipo.


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Mas agora vivemos um segundo momento desse fenômeno, em que as empresas começam a perceber que alguém com “apenas” milhares de seguidores pode influenciar muito mais e melhor que outro com milhões. E por um custo muito menor.

A explicação é simples e tem tudo a ver com a própria essência das redes sociais e com a nossa natureza humana. Tendemos a acreditar mais nas pessoas que se parecem ou pensam como nós. Portanto, podemos seguir um youtuber porque ele é engraçado e nos faz rir muito. Entretanto, se precisássemos passar uma mensagem mais séria e elaborada, será que pensaríamos nele? Ou escolheríamos uma pessoa que construiu uma reputação em torno daquele assunto, sendo admirada e “seguida” por isso?

O segundo caso vem trazendo resultados mais consistentes. Mas ele exige alguns cuidados.

O uso dos influenciadores para vender produtos ganhou força há alguns anos com blogueiras de maquiagem. Como elas já usavam cosméticos para produzir seu conteúdo, as marcas perceberam que poderiam transformá-las em garotas-propaganda eficientíssimas, se pagassem para que usassem seus produtos, falando (muito) bem deles.

Essa fórmula se ampliou para uma enorme variedade de indústrias e continua valendo até hoje. Mas começa a sofrer sinais de desgaste. Ficou banalizada! E aí reside o primeiro ensinamento aqui: uma boa campanha com um influenciador digital não o deve usar como um mero garoto-propaganda.

Ele é muito mais que isso!

 

Reputação digital

No final das contas, tudo gira em torno de outro conceito derivado da nossa ubiquidade digital: a reputação que construímos nas redes sociais.

Um bom influenciador digital é aquele que conseguiu se tornar uma autoridade naquilo que se propõe a falar. As pessoas o “seguem”, gostam dele e o respeitam por isso. É algo que se constroi com muito trabalho e um trabalho consistente e sério. Mas, se isso não for continuamente cultivado, pode descer pelo ralo.

Justamente por isso a fórmula das blogueiras de maquiagem que se transformaram em garotas-propaganda começa a fazer água: as pessoas não são trouxas! Quando essas formadoras de opinião usavam os cosméticos de uma maneira genuína, para ensinar como se maquiar, estavam construindo sua reputação. Mas quando trocaram isso por uma exibição escancarada de produtos, inclusive produtos de qualidade reconhecidamente abaixo do que elas realmente usariam, sua credibilidade começou a borrar com a maquiagem. E aí aquela refinada e eficiente capacidade de plantar e adubar com reputação uma ideia acaba virando um comercial ordinário.

Portanto, empresas que sabem fazer uma boa campanha com um influenciador digital não matam o que eles têm de melhor, que é a sua reputação e a sua capacidade de cultivar conceitos ao longo do tempo. E esse é o segundo ensinamento: em uma boa campanha com um influenciador, todos devem ganhar, começando pela marca, passando pelo influenciador e terminando em seu público. Sem forçar a amizade!

Nessa hora, os melhores perfumes podem estar mesmo nos menores frascos.

 

Relação de confiança e proximidade

Se estamos falando em estabelecer um canal de confiança, muitas vezes a proximidade entre o influenciador e seu público pode ser a chave para o sucesso de uma campanha. Evidentemente nem um pequeno influenciador conhece todos os seus seguidores, mas, ao contrário do que se vê nos megainfluenciadores, os pequenos normalmente cultivam uma relação mais próxima com muitos de seus fãs, que acabam se tornando amigos e servindo para reverberar ainda mais a sua mensagem.

Por isso, antes de escolher um influenciador, faça sua lição de casa e pesquise quem ele é, sobre o que costuma falar, que tipo de pessoa gosta dele e até mesmo a sua linguagem. Daí faça uma pergunta a si mesmo: isso tem a ver com o seu produto ou a sua marca?

Se a resposta for não, esse influenciador não é o que vai ajudar você na sua campanha. Resista à tentação de contratar alguém apenas por ser famoso ou porque VOCÊ gosta dele. Se forçar o influenciador a mudar o que ele é apenas para se adequar a uma campanha, caímos novamente no problema acima, o do garoto-propaganda.

 

E como ficam os grandes?

Mas então o grande influenciador digital não tem mais espaço nas campanhas? Claro que tem! Mas suas vantagens são complementares às dos pequenos.

Por exemplo, se a sua necessidade é expor seu produto ou a sua marca para o maior número de pessoas possível, gerar “awareness”, um influenciador megacelebridade pode funcionar melhor. Mas, mesmo nesse caso, resista a tentação de reduzi-lo a um garoto-propaganda, como a televisão sempre fez com as suas estrelas, que se limitam a emprestar seu rosto e sua fama às marcas, em peças de 30 segundos.

A fama alheia certamente abre portas e é ótima para jogar holofotes sobre um produto. Mas ela não é capaz de envolver o público com ele, para que essas pessoas se tornem clientes não porque um galã disse para comprarem algo, e sim porque entenderam seu conceito, conheceram a marca, identificaram suas reais vantagens e finalmente introjetaram isso tudo em seu cérebro.

Esse é o grande segredo, o “crème de la crème” desse novo jeito de fazer marketing. Mas ele só é possível se for executada por pessoas que têm uma boa reputação junto a seu público.

Afinal, a ideia mais crível e mais eficiente é aquela que você acha que é sua. Mesmo que, na verdade, tenha sido plantada em sua cabeça por alguém em quem você confia.


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