Como salvar seu negócio com o meio digital

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Como salvar seu negócio com o meio digital

Paulo Silvestre

23 de março de 2020 | 08h53

Declarações recentes de autoridades sugerem que as restrições pelo novo coronavírus podem durar muito tempo. O impacto nos negócios e no trabalho é imenso, e muitos se questionam se sua empresa sobreviverá a isso.

Permanecerão aqueles que conseguirem continuar produzindo nas novas condições. Em um ambiente de forte isolamento social, isso significa realizar bem o trabalho no ambiente digital. Você está pronto para fazer todas as mudanças necessárias no seu negócio para continuar produzindo e atendendo remotamente?


Saiba mais sobre esse assunto no vídeo abaixo:


A primeira coisa a se fazer: mantenham a cabeça no lugar!

Nessas horas, é fácil se tomar pela incerteza e até pelo pânico. Afinal, se antes tínhamos o controle de nossas vidas, agora vivemos à mercê do imponderável. O problema é que isso pode levar ao medo, que é um sentimento paralisante. Ele nos impede de seguir adiante e até deixa nossas ideias confusas.

Não se pode parar a vida! Temos que continuar a produzir, a trabalhar com segurança, dentro da nova realidade, em que muita coisa passará a ser feita online.

Mas, antes de pensar em como faremos isso, temos que pensar em nós mesmos como consumidores.

Tem gente que ainda tem medo de comprar algo online. E não é pouca gente: o Ibope mediu que cerca de metade dos internautas brasileiros nunca comprou nada online, principalmente por medo.

Bom, essa é uma excelente hora para mudar esse sentimento!

Serviços online podem ser tão bons ou até melhores que seus equivalentes presenciais. Alguns segmentos já estão totalmente à vontade com suas versões online, como o próprio varejo, a mídia, o sistema bancário, entre outros. Mas mesmo esses ainda poderiam fazer muito mais!

O principal entrave é que tentam ao máximo fazer uma simples transposição do atendimento presencial para o digital. E não é essa a ideia! O meio digital tem sua própria dinâmica, seus recursos, sua linguagem. Temos que aproveitar isso ao máximo, pensar criativamente, romper paradigmas!

A educação, por exemplo, é uma área que tem incríveis recursos para trabalhar à distância, mas ainda patina. Existem excelentes cursos à distância, que preparam seus alunos de maneira até melhor que o equivalente presencial, mas a maioria erra ao tentar colocar nas diferentes telas a experiência de sala de aula.

Mas não tem sala de aula, mão tem lousa, a comunicação com os alunos é feita de maneira totalmente diferente, o uso do material didático é diferente! Então, os planos de aula não podem ser os mesmos.

Quanto mais se tenta “aproveitar” o presencial, mais insatisfatório será o digital.

Não estou minimizando esse desafio. Infelizmente, muitas atividades não podem ser transportas para o digital. O setor primário e secundário da economia, por exemplo. Claro que eles podem melhorar -e muito- seus processos, inclusive automatizando muitas tarefas. Isso aliás, já vem sendo feito com muito sucesso. Mas entendo que, nesses setores, a presença do trabalhador acaba se fazendo necessária em algum momento, o que justamente é o grande complicador no que estamos vivendo.

Mesmo no setor terciário, de serviços, há segmentos que estão implicitamente ligados à presença física de seus profissionais e clientes. Exemplos disso são o turismo, o lazer, os transportes. Até gigantes amados por muitos, como a Disney, estão tendo perdas milionárias, e há muito pouco a se fazer.

Felizmente, boa parte do setor de serviços pode se transformar com sucesso diante das medidas de isolamento social. Na verdade, esse momento de crise pode acabar abrindo portas que muitas empresas se recusavam a passar porque estavam confortáveis com seu modelo existente.

Um setor do qual se tem falado muito é o de alimentos. O movimento desabou ou simplesmente foi proibido em algumas cidades. Mas as entregas continuam permitidas e as pessoas precisam comer. Mas, para se adaptar à nova realidade, não basta ter um telefone, um cozinheiro e um motoboy. Quem fizer só isso enfrentará uma queda forte nas receitas!

Por exemplo, como se relacionar com seu consumidor? Você sabe o que cada um deles come? E quando come? Como pede? E os métodos de pagamento? E de entrega?

No e-commerca, é interessante observar que muitos clientes deixam de comprar um produto porque eles nem sabem que a empresa vende online, ou porque não entendem exatamente o produto ou a oferta. A comunicação online, o site, o aplicativo são uma droga!

Não interessa qual seja o nosso negócio, temos que experimentar novos formatos. Temos que ser mais criativos e inovadores! Até coisas que parecem muito doloridas, nesse momento de crise, podem ser saídas inteligentes.

A transformação do seu negócio nesse momento pode implicar em mudanças mais duras, especialmente se você acha que está sem saída.

Estará sem saída no jeito atual! Mas e no novo jeito?

Esse isolamento pode nos levar a novas formas de conexão. Já penso nisso?

Pois pense! E aja!

A vida não pode parar!

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