Design tem o poder de transformar a sociedade

Design tem o poder de transformar a sociedade

Paulo Silvestre

08 de dezembro de 2021 | 14h25

Vinícius de Moraes escreveu em 1959 que “a beleza é fundamental”. Apesar de ter dito aquilo em um contexto específico, desde então a frase vem sendo repetida para justificar a importância do belo em nosso cotidiano.

Para muita gente, para isso serve o design, mas essa é uma visão distorcida e limitada dessa atividade. Cada vez mais, ela ocupa um espaço estratégico nas empresas e como um elemento transformador da sociedade.

“O design vem com a missão de colocar as pessoas no centro das decisões, redesenhando produtos e canais, de forma estratégica e operacional”, explica Jaakko Tammela, diretor de CX e Design da DASA. Para ele, essa transformação, que traz benefícios aos clientes e à empresa, acontece ao se questionar os porquês do negócio: “temos que provocar a empresa!”

Dessa forma, o design pode não apenas melhorar os resultados do negócio e a experiência do cliente, como até mesmo facilitar o entendimento do próprio conceito de invocação na empresa. “Meu maior desafio é como tangibilizar a inovação dentro e fora da companhia de uma maneira robusta, para as pessoas entenderem por que isso importante”, afirma Renata Freesz, head de inovação da Klabin.

Na noite dessa terça (7), os dois foram premiados na 11ª edição do Brasil Design Award. Organizado pela Abedesign (Associação Brasileira de Empresas de Design), ela é considerada a maior premiação do setor no Brasil, e visa reconhecer os melhores projetos desenvolvidos por profissionais e estudantes de todo o país. “Queremos ressaltar a importância do design na estratégia, assumindo essa relevância nos negócios, mas sempre pensando no ser humano”, ressalta Gabriel Lopes, presidente da associação.

Entre os ganhadores da premiação máxima, o troféu “Grand Prix”, estavam o Itaú, na categoria Design de Impacto Positivo, com a criação de um cartão inclusivo para pessoas com deficiência visual, e o Canal Brasil, em Design Gráfico, pela nova identidade da marca. Já o voto popular destacou o projeto Acessibilidade Wise Hands, solução de gerenciamento e rede social interna para empresas, do designer Gustavo Miranda.

A premiação da equipe de Tammela veio na categoria Design Digital, pela criação da “Plataforma Nav”, Ela permite muito mais que agendamento de consultas e telemedicina, criando um prontuário digital de cada paciente, o que facilita todo o processo ligado a sua saúde. “Normalmente, as pessoas não sabem detalhes da própria saúde para responder a perguntas de um médico”, afirma ele. A plataforma procura, dessa forma, dar mais transparência ao paciente. “Vamos tirar essas barreiras, dar informações e poder aos pacientes, para criar esse diálogo.”

No caso da equipe liderada por Freesz eles foram premiados na categoria Design de Produto, pelo projeto “Inova Klabin em Casa”. Trata-se de um kit com várias caixas, painéis e outros elementos encaixados uns dentro dos outros, que, integrando-se a smartphones, demonstram e explicam as atividades da empresa para clientes, fornecedores, parceiros e funcionários. Ela serviu também como uma porta de entrada criativa para os diferentes conteúdos do evento Inova Klabin. “Se a gente só debate os conceitos, isso não é absorvido”, explica a executiva. “A gente precisa mostrar, tem que pegar!”

A equipe de design trabalhou com o conceito de “phygital”, que integra elementos físicos com digitais, para criar uma experiência mais imersiva. Para Freesz, “essa caixa que as pessoas receberam fazia essa conexão, essa humanização, como um abraço”.

Tammela acredita que “designers se sentem confortáveis com o desconforto”. Segundo ele, “esses profissionais têm um questionamento nato, gostam de viver no ‘mundo da pergunta’”.

Além disso, trabalham com o que ele chama de “decepção criativa”, pois gostariam de mudar todo o mundo. Como isso não é possível, sempre transitam entre os questionamentos e as possibilidades, descobrindo o que pode ser feito para as pessoas e como. “Nada que a gente crie pode tirar o acesso das pessoas a algo”, conclui.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.