Pense para agir, mas não perca muito tempo nisso

Pense para agir, mas não perca muito tempo nisso

Paulo Silvestre

14 de junho de 2017 | 23h32

Steve Jobs “mostra o dedo para a IBM”, em clássica foto de dezembro de 1983, tirada poucas semanas antes do lançamento do Macintosh – Imagem: reprodução

Steve Jobs “mostra o dedo para a IBM”, em clássica foto de dezembro de 1983, tirada poucas semanas antes do lançamento do Macintosh

Quem trabalha com mídia digital desde seu surgimento, como eu, acaba acumulando muitas histórias que vivenciou ou simplesmente ouviu falar. E é interessante notar como aprendizados do passado podem ser aproveitados hoje por qualquer profissional ou empresa. Gostaria de compartilhar com vocês uma história com Steve Jobs, da qual lembrei há alguns dias.

Não é segredo nenhum o desprezo que Jobs tinha pela IBM e seu modo de fazer negócios, que considerava, no mínimo, anacrônico. Mesmo assim a história conta que, em 1983, o fundador da Apple visitou a “Big Blue”, onde não pôde deixar de notar o slogan “PENSE” (ou “THINK”, no original em inglês) presente em todo lugar. Perguntou então ao executivo da IBM que o acompanhava o que era aquilo. Criado pelo lendário CEO da IBM Thomas J. Watson, o slogan sugeria que os funcionários da IBM levassem tudo em consideração antes de tomar suas decisões.


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Em 24 de janeiro de 1984, a Apple lançou o Macintosh, que revolucionou a microinformática introduzindo o conceito de interface gráfica em um computador para as massas. Alguns meses depois, o executivo da IBM se encontrou novamente com Jobs e perguntou a ele como a Apple tinha conseguido conceber uma máquina tão incrível! A resposta veio carregada de ironia:

“Nós não paramos muito para pensar.”

Jobs fez parecer que o Macintosh –nome original do Mac– tivesse nascido de uma epifania dele e de sua equipe, da noite para o dia. Claro que não foi assim: foi um processo longo, árduo, muitas vezes doloroso, e que envolveu até a “usurpação” dos conceitos do mouse e da interface gráfica, como pode ser visto no trecho acima do filme “Piratas da Informática”. Mas esse jeito impetuoso, ignorando o status quo e aproveitando as oportunidades (especialmente quando ainda ninguém percebia o que estava acontecendo) era uma das marcas de Jobs.

Evidentemente novos Macintoshes não são lançados a toda hora. Mas essa história guarda um aprendizado muito interessante. Sim, temos que pensar antes de tomar decisões importantes em nossas carreiras e em nossas empresas. Mas não podemos perder muito tempo nisso, e também temos que dar ouvido a nossos instintos e lutar pelo que acreditamos.

E chega a hora em que temos que pôr a banda na rua.

 

Identifique e aproveite as oportunidades

Como diz o ditado, “cavalo selado não passa duas vezes”. Em outras palavras, quando grandes oportunidades se apresentam a nós, não devemos desperdiçá-las, pois talvez não tenhamos de novo a mesma chance.

Parte da genialidade de Jobs se deve ao fato de ele montar nos cavalos selados que via, mas também em domar potros selvagens dos quais ninguém queria se aproximar. Foi assim que ele conseguiu mudar o mundo pelo menos quatro vezes: ao lançar o Apple II (1977), o Macintosh (1984), o iPod (2001) e o iPhone (2007).

Com exceção do Apple II, todos esses produtos foram bem planejados, claro. Mas eles só viram a luz do Sol porque Jobs tinha uma ideia clara para cada um deles, visões que, em incontáveis ocasiões, o colocaram em rota de colisão com sua própria equipe. Mas ele sempre forçou a barra para que tudo fosse como ele acreditava, em parte por ter um ego gigantesco, mas em parte (felizmente) por saber que era o certo a ser feito, por mais que tivesse que desafiar o mundo.

Trazendo para a nossa realidade, essa história se manifesta quando estamos diante de decisões que provocarão mudanças significativas em nossas carreiras ou nossos negócios. Nem sempre elas envolverão grandes riscos, mas exigirão que pensemos menos e ajamos mais, que enxerguemos algo que não está muito claro, e que acreditemos nessa visão.

Posso falar pela minha própria carreira. Algumas das melhores decisões da minha vida vieram desses pequenos “saltos de fé”, como quando eu troquei a engenharia pelo jornalismo, quando deixei o jornalismo impresso (que estava no seu auge, em 1995) pelo digital (que ninguém sabia o que era), ou quando abandonei uma posição confortável na área de produção pelo marketing. Em todos os casos, muita gente se apressou a dizer que eu estava tomando decisões erradas (e, à primeira vista, pareciam mesmo). Mas, em todas elas, segui minha intuição.

Ainda bem!

 

Preste atenção no mundo

Steve Jobs estava acima da média pois via muito além do que todos os executivos viam. Por isso, ele conseguiu fazer tudo o que fez. Mas não precisamos ter essa supervisão para tomarmos atitudes incríveis, pois elas podem surgir de coisas simplórias do nosso cotidiano.

Vou usar como exemplo um incidente que aconteceu no dia 15 de janeiro e que provocou enorme discussão nas redes sociais: uma moça foi literalmente levada pela enxurrada ao tentar entrar no restaurante Paris 6, em São Paulo. O constrangedor fato foi filmado por alguém e acabou no YouTube, “viralizando” rapidamente. Claro que a moça não jantou naquela noite.

Poderia ter sido só mais um dos incontáveis acidentes urbanos que acontecem todos os dias. O estabelecimento também poderia não ter feito nada sobre isso: afinal, ele não teve nenhuma culpa ou participação no fato. Mas ele fez: poucas horas depois do acidente, iniciou uma campanha nas redes sociais para descobrir quem era a vítima, para lhe presentear com um jantar (que acabou se transformando em um VIP vitalício diante da enorme repercussão do fato). A ação se espalhou feito rastilho de pólvora na Internet (no momento, o post original está com 169 mil “reações” no Facebook) e ganhou até espaço na imprensa. A vítima foi rapidamente identificada e ganhou o seu presente.

Na época, muita gente criticou o Paris 6, classificando a iniciativa de “marketing barato construído sobre o sofrimento alheio”. Não concordo com isso.

Sim, o Paris 6 foi oportunista. Mas não no sentido negativo da palavra, e sim porque identificou uma oportunidade e agiu rapidamente, criando algo positivo para sua marca, sem expor a vítima (que então nem era conhecida). Aliás, grande parte do sucesso da iniciativa se deve ao fato de o estabelecimento tratar a cliente como uma pessoa, demonstrando empatia. Sobre tudo isso, claro, souberam aproveitar bem os recursos dos meios digitais.

Ou seja, montaram no cavalo selado!

Lançar um computador revolucionário ou criar um post oportunista (no bom sentido) são coisas muito diferentes. Mas, deixando de lado a abissal distância entre um e outro, as duas coisas só aconteceram porque uma oportunidade foi identificada e aproveitada da melhor maneira possível: pensando, claro, mas também agindo! Nos dois casos, surgiram críticas (e elas sempre aparecem), mas o “dono da bola” bancou o que acreditava até o fim. E, por isso, fez a diferença colheu os louros.

Portanto, cuidado para não ficar empacado em seus pensamentos, especialmente naqueles mais brilhantes. Mesmo que muita gente torça o nariz, não deixe que isso apague a chama de seus sonhos ou as suas iniciativas mais brilhantes. Acredite e monte no cavalo!


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