A Temer o que é de Temer

A Temer o que é de Temer

Michel Temer não é digno de compaixão, porém suas artimanhas não fazem dele mais perverso do que muitos políticos.

Mario Vitor Rodrigues

22 Outubro 2017 | 09h52

Foto: internet

 

Da extrema esquerda ao MBL, passando pelo judiciário e por personalidades engajadas, sobram atores interessados em plantar ruídos de comunicação para fazer valer as suas visões de país. Convenhamos, dado o clima de polarização que há anos sufoca o debate por aqui, nada poderia ser mais sintomático. Sendo assim, e supondo que o título deste texto suscite preconceitos, o disclamer se justifica: Michel Temer não é digno de compaixão, porém suas artimanhas não fazem dele mais perverso, sonso, oportunista ou manipulador do que muitos políticos.

Filiado ao PMDB desde 1981, eleito duas vezes deputado federal por São Paulo, tendo presidido a Câmara dos Deputados e o próprio partido em mais de uma ocasião, Michel Miguel Elias Temer Lulia não é exatamente um sopro de renovação na vida pública, contudo esse está longe de ser o maior dos seus pecados.

Indício grave, isso sim, é o seu status de líder em uma legenda que conta com Renan Calheiros, Roberto Requião, José Sarney e Jader Barbalho, apenas para ficar na velha guarda. E, é claro, talvez ainda pior seja o fato de ter ladeado o PT a ponto de referendar um governo tão corrupto e inepto quanto o de Dilma Rousseff.

Está tudo certo, além de não ser mesmo flor que se cheire, Temer não merece ser incensado por recuperar o país quando, na melhor das hipóteses, foi sócio em sua dilapidação. Entretanto, já está na hora de contrapor esse discurso eleitoreiro, costela do “Fora Temer”, propalado por quem está interessado em antecipar o pleito do próximo ano.

Nos últimos dias, essa estratégia ficou ainda mais nítida, dado o inconformismo de boa parte da mídia e simpatizantes da esquerda com as manobras governistas para derrotar a segunda denúncia  apresentada pela Procuradoria-Geral da República contra o presidente.

Não tivéssemos uma fartura de episódios idênticos registrados em nossa história recente, inclusive protagonizados Dilma Rousseff e Luiz Inácio, tal alarido seria perfeitamente justificável.

Se devemos criticar um governante que receba malandros como Joesley Batista para conversas sorrateiras na residência oficial? Sem dúvida. Idem para a manipulação da máquina, como a exoneração temporária de ministros para garantir votos favoráveis, ou quando toda sorte de cargos e vantagens são distribuídos para costurar apoios em detrimento do melhor para o país.

Porém, em nome do bom debate, é fundamental que tais premissas sejam válidas para todos.

Trocando em miúdos, se críticas à bandalheira nunca são demais, o cinismo é dispensável.