Acabou o brioche

Acabou o brioche

Pouco interessa se é mentira que os trabalhadores serão prejudicados, assim como tanto faz se o país não suporta mais ser tão dadivoso.

Mario Vitor Rodrigues

28 Abril 2017 | 09h07

Igo Estrela/Estadão

Se ainda pairavam dúvidas sobre o prejuízo que uma ideologia massificada pode causar à sociedade, principalmente aos olhos dos mais novos, espero que se dissipe a partir de hoje, com esse biônico clamor por uma greve geral. Não que faltassem exemplos históricos disso, tanto pelo Brasil quanto mundo afora, inclusive com desdobramentos bem mais drásticos.

No fim das contas, vinda de grupos que dominaram o país ao longo de quase duas décadas, sendo favorecidos e favorecendo toda sorte de ilegalidades, manipulando a democracia e aparelhando o Estado, a estratégia aplicada agora é bem conhecida: quanto pior, melhor.

Vale lembrar, ainda ontem, quando o Partido dos Trabalhadores não passava do primeiro primeiro turno, a esquerda estereotipada fazia de tudo para atrapalhar quem ocupava o poder. Foram contrários ao Plano Real, negaram a política de programas assistencialistas que futuramente incrementariam – “é como Cabral tratava os índios, é uma política de dominação” (Lula, 1998) – e até mesmo torceram o nariz para a Constituição.

Pois, muito bem, o tempo passou, mas não o habito de fazer terrorismo com as palavras para ludibriar os incautos. E alardear a perda de direitos adquiridos, por conta  das reformas trabalhista e da previdência, apenas confirma essa constatação. Pouco interessa se é mentira que os trabalhadores serão prejudicados, assim como tanto faz se o país não suporta mais ser tão dadivoso.

Pior ainda, escondem propositadamente que a reforma trabalhista é necessária para incentivar o crescimento de postos de trabalhos formais, uma vez que tornarão as contratações menos onerosas para os empregadores. Assim como regulamenta uma prática já estabelecida por milhões de brasileiros, a terceirização, justamente por conta de tantos e custosos entraves que permeavam o mercado de trabalho.

Por trás de tudo isso, além da volúpia política e claro interesse em criar narrativas que mantenham a turba unida, está o fim do imposto sindical obrigatório. Estão inconformados, os militantes profissionais, com a hipótese de não serem mais sustentados pelo povo brasileiro.

A grande ironia é que apoiaram e ainda apoiam quem roubou o país, viveram atracados nas tetas do Estado, mas ainda assim contam com o apoio da massa falida que ajudaram a produzir.

Saravá, o brioche acabou.