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Precisamos urgentemente desenvolver uma maneira de descontaminar nossas análises do caldo político.

Mario Vitor Rodrigues

30 de julho de 2017 | 09h34

Imagem: cartoon por Roy Delgado

 

O resultado da pesquisa CNI/Ibope, divulgado na última quinta-feira, não foi dos melhores para Michel Temer. Descontados os parcos 5% de entrevistados que avaliam o seu mandato como ótimo ou bom, 83% desaprovaram a maneira como o país está sendo conduzido e 87% disseram não confiar no presidente. Trocando em miúdos, refletiu a maciça rejeição por parte da esquerda, o tom de confronto adotado pela Globo e a mácula moral contraída após a divulgação da conversa com Joesley Batista.

Acima de tudo, serviu para dimensionar o sucesso de uma campanha em curso, capaz até mesmo de negar a gradativa recuperação da economia.

Que fique claro, se raros são os políticos agraciados com a antipatia popular sem o devido merecimento, Temer não é um deles. Muito pelo contrário, trata-se de um dos principais líderes do PMDB — legenda partícipe em toda sorte de tramóias, antigas e recentes —, ao lado de grão-mestres como Renan Calheiros, Roberto Requião e Jader Barbalho. Sem falar nos encarcerados Sérgio Cabral e Eduardo Cunha.

Contudo, foi justamente esse dote que levou o seu nome a ser referendado para ladear Dilma Rousseff no pior governo de nossa história moderna. À época, não custa lembrar, a mesma parcela da sociedade que hoje brada pela sua saída, brindava o país com um cínico e obsequioso silencio.

Ressalvas feitas, considerando natural o oportunismo político e justo o mau humor do cidadão, é incompreensível o grau de histeria e má vontade destilado por articulistas e formadores de opinião quanto aos recentes indicadores econômicos.

Não se pode, por exemplo, ignorar a interrupção da queda na produção industrial e das vendas no varejo. Tampouco é invisível a retomada do mercado de crédito, com a estabilização da inadimplência e o gradual oferecimento de novas linhas. A redução no índice de desemprego, anunciada pelo IBGE na sexta-feira; o cada vez mais baixo índice de inflação e o dólar a quase R$ 3,00, enfim, compõem um cenário, que, se não deslumbra de imediato, deveria suscitar otimismo.

Na realidade, precisamos urgentemente desenvolver uma maneira de descontaminar nossas análises do caldo político. O quanto antes, levando-se em conta o perigo de fomentar desinformação às vésperas de mais um processo eleitoral.

Posicionar-se baseado em percepções tortas da realidade, afinal, não tem sido muito proveitoso.

Haja vista 2014.

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