Antipsicótico por custo-benefício?

Claudia Belfort

15 de dezembro de 2009 | 19h35

As crianças atendidas pelo sistema público de saúde dos Estados Unidos, o Medicaid, estão recebendo antipsicóticos numa quantidade quatro vezes maior que as crianças cujos pais têm seguro privado. A conclusão é de uma pesquisa financiada pelo próprio governo americano e reacendeu um debate sobre o que motiva a indicação desses medicamentos:  se uma real necessidade ou uma questão de custo-benefício. Especialistas ouvidos pelo jornal The New York Times se disseram atordoados com a disparidade nos padrões de prescrição.

O professor da Universidade Rutgers Stephen Crystal, que chefiou o estudo, apontou também que crianças mais pobres são mais propensas a receber antipsicóticos para condições menos graves que as de classe média. Nos Estados Unidos a prescrição de antipsicóticos é indicada para tratar a esquizofrenia, autismo e transtorno bipolar,  mas eles são frequentemente receitados para casos de déficit de atenção, hiperatividade, agressividade e rebeldia persistente.

Como conseguir uma consulta com um psiquiatra pelo Medicaid demora, esses medicamentos são receitados até por pediatras ou pelo médico da família. Os antipsicóticos, porém, dizem os pesquisadores, podem ter graves efeitos colaterais, como ganho de peso , alterações metabólicas e resultar em problemas físicos para toda a vida.

O comitê de pediatria da Food and Drug Administration, FDA, órgão regulador de medicamentos e alimentos dos EUA, reuniu-se na primeira semana de dezembro, para discutir os riscos à saúde para todas as crianças que tomam psicotrópicos e analisar novas regras de rotulagem para esse tipo de remédio.

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