Aos loucos, o silêncio

Claudia Belfort

16 de dezembro de 2009 | 19h22

Acompanho o blog do Dr. Daniel Barros, psiquiatra forense da USP e que já deu entrevista aqui no Sinapses. Nesta terça-feira, 15/12,  ele escreveu um post bem oportuno sobre o caso do italiano Massimo Tartaglia (veja o momento da agressão/vídeo),  aquele que agrediu o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, com uma réplica do Domo de Milão.

Barros destacou que na sequência dos comentários sobre o ato de Tartaglia, que faz tratamento psiquiátrico há pelo menos dez anos, a ação passou a ser vista como obra de um louco, esvaziando-a de significado. Sim, os advogados do agressor entregaram a Berlusconi uma carta na qual Tartaglia pede desculpas e diz “não se reconhecer”, mas independentemente da carta, que pode ser até estratégia da defesa, Barros levantou uma questão que me pareceu bem importante: estão os pacientes psiquiátricos relegados ao silêncio?

Lembro que um ano atrás, em14 dezembro, o jornalista iraquiano Muntazer al Zaidi jogou, durante um coletiva em Bagdá, um de seus sapatos no então presidente americano George Bush, na época o ato foi visto apenas como um protesto político, e ainda é.  Assumisse Zaidi que tomava antidepressivos sairíamos todos justificando a “sapatada” como uma reação de alguém com problemas mentais?

Não conheço o histórico de Tartaglia nem de Zaidi, tampouco aprovo os métodos que usaram para protestar, mas temo que se torne um hábito culpar de maneira irresponsável eventuais transtornos psiquiátricos por reações que podem também ser de raiva, indignação, medo, tristeza, alegria ou crimonsas. Temos sentimentos e sentir não é estar doente.

Tudo o que sabemos sobre:

transtorno psiquiátrico

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.