A cidade arco-íris

A cidade arco-íris

Claudia Belfort

17 Fevereiro 2013 | 21h07

Passei parte das férias em Tibau do Sul, cidadezinha no litoral sul do Rio Grande do Norte, um lugar lindo de tirar o fôlego, cheio de lagoas, rios, falésias, mar de água quente, golfinhos. Imagine tudo de bom que tem nas praias do Nordeste, ponha num único lugar, é Tibau. Em determinado ponto de minha estada, a cidade me encantou por outro motivo, no sentido oposto ao das praias. As cores de suas casas.

 

Inicialmente, ao me deparar com uma casa super amarela, me questionei sobre o que levaria alguém a pintar as paredes com um tom quente naquela região de tanto calor. Achei que era uma excentricidade, mas, ao olhar a cidade com mais atenção, percebi que toda ela era colorida e que vinha daí a sensação de harmonia que sentia sempre que passava pelo povoado. Ela se encaixa lindamente com o entorno. Tem casa azul, céu azul, flores azuis; casa vermelha, barro avermelhado, flores vermelhas; tem o amarelo do sol, de paredes e do reflexo dourado do entardecer na lagoa.

Até as igrejas são coloridas (quem dera a diversidade das cores contaminasse também as ideias determinados pastores)

Perguntei a alguns moradores se havia incentivo da prefeitura para pintarem as casas, até por ser um local de muito fluxo de turistas. Recebi olhares de surpresa. “Aqui é assim mesmo”. Eles nem se dão conta que moram num arco-íris.

Resolvi registrar para publicar no blog e saí num final da tarde para fazer essas fotos, levando comigo meu espanto de sempre: como é possível alguém não ver que a beleza, que a harmonia, que a mágica do mundo está na diversidade? Como é possível alguém querer diminuir as cores da vida?