Diálogo, confiança, tempo e…

Claudia Belfort

01 de dezembro de 2009 | 14h42

Depressão, esquizofrenia foram os dois diagnósticos que a filha de Eli, que acompanha o blog Sinapses, recebeu de quatro profissionais, entre psicólogos e psiquiatras. Dá para sentir sua angústia pelo jeito que escreve. “Os pais só podem ficar tontos sem saber exatamente o que a filha tem, e acho primordial eles serem informados da gravidade da doença e orientados pelo psiquiatra, senão fica mais difícil o tratamento,” desabafou num e-mail recente que me enviou. A família mora na Bélgica e, segundo Eli, as consultas com os psiquiatras que procurou duraram de 15 a 20 minutos.

De fato, estabelecer um diagnóstico preciso de uma doença mental não é simples e há pelo menos três fatores fundamentais para definir o transtorno de um paciente: a entrevista, o tempo, e a confiança, me explicou dr. Daniel Barros psiquiatra do Núcleo Forense do Instituto de Psiquiatria da USP.  As informações que o psiquiatra levanta na consulta são a base primária para um diagnóstico.  Não há exame de sangue, de urina ou radiografia para materializar disfunções mentais. “Tudo parte da velha e boa medicina, da relação entre médico e paciente. Isso vale também para doenças detectadas por exames, já que é o médico quem os interpreta”, disse dr. Daniel. Por isso, a confiança é a chave. “Um paciente só vai sossegar quando achar um médico em quem confie.”

O tempo. Aqui, faço um parêntese,  a gente quer tudo rápido, um programa que abra logo no computador, a mesa no restaurante, a resposta ao email, mas está sempre se deparando com a necessidade de dar e receber mais tempo. E esse é bem o caso no que tange os diagnósticos. O tempo dedicado ao paciente, a ouvi-lo, a dialogar é, segundo especialistas, segundo o Dr. Daniel, isso para não falar dos pacientes, muito importante. “ Além do mais, hoje em dia com a internet, o paciente chega com muita informação e o médico tem de estar aberto ao diálogo, a ouvir questionamentos sobre o diagnóstico e entender que ele pode querer uma segunda opinião”. E às vezes o próprio tempo é um fator de diagnóstico. “Certa vez achei que um paciente era esquizofrênico e o tempo me mostrou que ele tinha outro problema, ele saiu curado”, me disse Dr. Daniel. Ah, mas aí entra outro elemento: a humildade.

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