Mães depressivas, filhas em risco

Claudia Belfort

13 de abril de 2010 | 00h12

Meninas cujas mães têm depressão apresentam uma atividade anormal em determinadas áreas do cérebro que podem colocá-las em risco de também desenvolver a doença, segundo estudo publicado na edição de abril da  Archives of General Psychiatry. Pesquisadores da Universidade de Stanford, EUA, estudaram o cérebro de 26 garotas, entre 10 e 14 anos, sendo 13 delas filhas de mulheres com recorrentes episódios de depressão (grupo de risco) e 13 sem histórico familiar da doença (grupo de baixo risco).

Os exames, feitos por ressonância magnética, revelaram que as filhas de mulheres portadoras da doença, quando colocadas em situações de recompensa, tinham uma atividade cerebral menor nas áreas que processam ganhos que suas pares do grupo de baixo risco. Já diante de perdas elas apresentavam atividade intensa nas regiões relacionadas à antecipação de eventos adversos como medo e dor e também nas do aprendizado a partir de experiências negativas. No grupo de meninas sem histórico de mães depressivas, por sua vez, a região do aprendizado foi acionada nos momentos de recompensa.

Embora reconheçam que a amostragem é pequena, os cientistas estimam que 50% das filhas de mães com depressão desenvolverão a doença. Eles também acreditam que esse mapeamento das reações cerebrais a partir de estímulos distintos pode ser um indicador da importância da Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) – psicoterapia que foca nas relações entre o comportamento e a estrutura de pensamento desenvolvida por um indivíduo – na prevenção da doença.

Atualização: Luísa, leitora deste blog, me perguntou e a informação realmente faz falta. A pesquisa foi feita apenas com meninas, mas não significa necessariamente que é essa hereditariedade seria uma condição exclusivamente feminina. O artigo não explica porque esse grupo foi escolhido.

 

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