Obscenidades? Não, palavras de apoio

Claudia Belfort

09 Novembro 2010 | 15h42

Assim que me deparei com essa pesquisa da Universidade York, Canadá, lembrei de um conto de Inácio de Loyola Brandão, Obscenidades para uma dona de casa. Nele, uma esposa e mãe dedicada espera ansiosamente por cartas anônimas descrevendo a participação dela em picantes atos sexuais. As mensagens deixavam-na chocadas, mas levavam sua autoestima aos céus.

Conduzida pela professora e psicóloga Myrian Mongrain, a pesquisa concluiu que enviar uma carta a si mesmo com frases de apoio ou compreensão pode melhorar o estado de pessoas vulneráveis à depressão. Os participantes foram encorajados a descrever um acontecimento desagradável de suas vidas e depois escrever palavras de conforto, como um amigo faria. Outros tinham de relatar suas vidas num futuro depois de vencidos os problemas atuais. As mensagens eram diárias e os pacientes deveriam medir o resultado após 30 dias, 90 dias e 180 dias.  O resultado foi uma melhora no estado geral dos participantes. Alguns tiveram uma redução no quadro depressivo após três meses, e até uma evolução na sensação de felicidade após 6 meses. 

Segundo Dra. Mongrais, a ideia é fazer o paciente ser bom com ele mesmo, estar ciente de seus problemas e proporcionar palavras que precisa para sentir-se bem. A  pesquisa (veja mais detalhes sobre metodologia) foi feita com 200 pessoas.

E o que isso tem a ver mesmo com o texto do Inácio de Loyola? Não vou estragar o final do conto que você pode ler aqui ou nos livros:

“Os Melhores Contos de Ignácio de Loyola Brandão”, seleção de Deonísio da Silva, Global Editora — São Paulo, 1997.

 “Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século”, seleção de Ítalo Moriconi, Editora Objetiva — Rio de Janeiro, 2000.

 

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As informações divulgadas neste blog não substituem aconselhamento profissional. Antes de tomar qualquer decisão, procure um médico.