Sibutramina, risco para o corpo e para a mente

Claudia Belfort

26 Janeiro 2010 | 13h01

A sibutramina, um dos remédios para emagrecer mais  vendidos no mundo, está proibida na Europa. Segundo a Agência Europeia de Medicamentos, que determinou a proibição na última segunda-feira, 25,  o uso do remédio aumenta consideravelmente o risco do paciente sofrer derrame e enfarte. Nos Estados Unidos, a Agência e Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês) também alertou para os riscos de enfarte e derrame em pessoas que sofrem de problemas cardíacos. Lá a droga não foi vetada, mas o órgão  pediu ao laboratório Abbot, fabricante do medicamento emagrecedor, que intensifique o alerta sobre os riscos do uso da sibutramina por pacientes com problemas cardíacos.

Em nota, o Laboratório Abbott defendeu  segurança da substância e destacou que ” desde o seu lançamento no Brasil, em 1997, não foi reportado nenhum caso de efeito colateral grave associado à sibutramina” e que a droga ” deve ser administrada com cautela aos pacientes com histórico de hipertensão e não deve ser recomendada àqueles que tenham hipertensão não-controlada ou mal controlada.

Numa primeira leitura pode até parecer que o uso da sibutramina nada tem a ver com transtornos psíquicos. Mas uma olhada na lista de contra-indicações aparecem pessoas com antecedentes de transtornos alimentares, como bulimia e anorexia, além de a quem tem pressão alta, problemas hepáticos e cardíacos.  Segundo a psiquiatra Aline valente Chaves, assistente do ambulatório de residência do Hospital das Clínicas de São Paulo, FMUSP, o uso de medicamentos para emagrecer pode tanto desencadear um transtorno psíquico em alguém com predisposição para tal quanto piorar um quadro já existente. “É verdade que no caso da sibutramina o risco é menor que no das anfetaminas, mas não significa que ele não exista. Aline explica que em situações em que o paciente de um distúrbio mental ganha muito peso, alguns profissionais até prescrevem a substância, mas, frisa, com muita parcimônia. “Eu nunca indiquei”. De acordo com a médica, “no caso dos pacientes bipolares, por exemplo, a sibutramina pode atuar como um desestabilizador do humor.”

Ainda em 2002, o  Setor de farmacovigilância do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS-SP) informou em um alerta terapêutico ter recebido 29 notificações de eventos adversos relacionados a sibutramina. Em 11 deles, os pacientes manifestaram alterações psiquiátricas. A conclusão do CVS foi de reação adversa provavelmente relacionada ao medicamento. O órgão também alertou para o fato de haver poucos trabalhos sobre os efeitos da sibutramina como desencadeadora de transtornos psiquiátricos em indivíduos sadios ou como fator de agravamento desses transtornos em pacientes já diagnosticados como portadores de distúrbios psiquiátricos.

Entre as reações identificadas no alerta do CVS estão: sensação de morte iminente, depressão, ansiedade, agressividade, exaltação do humor, pensamento acelerado, comportamento de risco, agitação, confusão, inquietação, hipomania, alucinações. Distúrbio de conduta: irresponsabilidade, agressividade, irritabilidade, redução do senso crítico. Ansiedade excessiva,sensação de aperto no peito, dificuldade de raciocínio e ansiedade com irritabilidade.