Três Malalas: a mulçumana, a negra e a branca

Três Malalas: a mulçumana, a negra e a branca

Claudia Belfort

07 de janeiro de 2013 | 10h55

Confesso que quase chorei quando vi essa foto da AP que o Estadão publicou neste sábado, 5. Além da história da estudante paquistanesa Malala Yousafzai, 15 anos, que foi baleada por integrantes do Talebã por defender a educação de meninas em seu país,  já ser forte por si, a foto é quase um chamado pela igualdade e revela muito mais que o momento em que a menina deixa o hospital onde estava internada na Inglaterra.

Veja, estão lá três mulheres, uma mulçumana, uma negra e uma branca, cada uma representante de uma cultura, de uma história, de uma miríade de desafios que venceram e que ainda enfrentam, unidas por olhares de pura identificação, empatia, compaixão, igualdade, uma dando significado à outra. Três Malalas.

Algumas horas depois comecei a ler Filosofia da Caixa Preta, sobre fotografia, de Vilém Flusser, recomendado pelo meu colega Lourival Sant’Anna:

…O vaguear do olhar é circular: tende a voltar para contemplar elementos já vistos. Assim, o ‘antes’ se torna ‘depois’, e o ‘depois’ se torna ‘antes’. O tempo projetado pelo olhar sobre a imagem é o do eterno retorno…Deste modo o olhar vai estabelecendo relações significativas. O tempo que circula e estabelece relações significativas é muito específico: tempo de magia*. Tempo diferente do linear, o qual estabelece relações causais entre eventos. No tempo linear, o nascer do sol é a causa do canto do galo; no circular, o canto do galo dá significado ao nascer do sol…no tempo da magia, um elemento explica o outro, e este explica o primeiro. O significado das imagens é o contexto mágico da relações reversíveis.”

Olhe novamente a foto, não isso?

(* no glossário do livro: existência no espaço-tempo do eterno retorno)

Achei o livro da Saraiva e na Cultura

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