Vai ficar aí, só diante da tela do computador?

Claudia Belfort

21 Janeiro 2010 | 15h36

Como foram ricos os comentários sobre o relato de Roberta sobre seu sofrimento com o transtorno bipolar para a seção Vozes do blog. Li todos. Observar a diversidade de opiniões, a solidariedade,  o debate, as recomendações tem sido uma experiência surpreendentemente boa. Fiquei, no entanto, preocupada com um ponto, até fui “provocada”, no bom sentido, sobre isso por uma leitora: os conselhos.

Há quem recomende remédio, quem apresente tratamentos complementares, quem defenda apenas a força de vontade, religiosidade, quem diga o transtorno provoca, ou não,  impulsividade, seja sexual, seja por álcool, por compras, etc. E eu? Fico aqui diante da tela do computador e não falo nada sobre eles?

Bom, não posso validar ou refutar os conselhos, comentei sobre isso com um leitor recentemente, sou jornalista, não médica. Mas posso sim aconselhar algo da minha área: ler. E isso não dói (a não ser a quem, como eu, precisa de óculos de leitura e insiste em não usar).

 Assim, vou  apresentar alguns livros sobre o tema, para quem quiser também procurar opiniões científicas.

Enigma Bipolar, consequências, diagnóstico e tratamento do transtorno bipolar. Dr. Teng Chei Tung. MG Editores.

Numa linguagem bem acessível, Dr. Teng, psiquiatra do HC de São Paulo, procura responder as principais questões sobre o transtorno, possíveis causas, tipos de tratamento, medicações e consequências para a família.

 Uma mente inquieta. Key Redfield Jamison. Ed. Martins Fontes

Testemunho da psiquiatra de cientista Key Redfield Jamison, bipolar e que sofreu seu primeiro surto aos 17 anos. Por também ser psiquiatra, Jamison acrescenta ao relato informações científicas que dão muita força à narrativa. O livro começa meio lento, mas vai ganhando ritmo.

Temperamento forte e bipolaridade. Diogo Lara. Ed. Revolução de Ideias.

Psiquiatra formado pela UFRGS, Dr. Diogo Lara procura destacar as implicações do temperamento forte na bipolaridade. Apresenta casos reais. Também faz um alerta aos diagnósticos de depressão e déficit de atenção (DDA) e ao uso excessivo de antidepressivos e psicoestimulantes, tão prescritos atualmente.