Vozes: não consigo separar fantasia da realidade

Vozes: não consigo separar fantasia da realidade

Claudia Belfort

05 Janeiro 2010 | 15h26

O relato de Tiago (nome fictício), reproduzido abaixo, inaugura a seção Vozes…, espaço no Sinapses destinado à publicação de testemunhos de portadores de algum distúrbio mental. O objetivo é permitir que eles possam compartilhar experiências, relatar como receberam o diagnóstico, falar sobre seus temores e desejos,  ajudar outras pessoas na compreensão do problema e mostrar como vivem (bem ou mal) os que têm e escondem sua doença, assim como os que as revelam (veja como participar).

Seis meses em quadro psicótico

vozes

Meu surto foi em julho de 2007. Experimentei vivências que para mim eram reais, de caráter persecutório. Eu não desconfiava que o que estava vivendo eram delírios e alucinações, visuais e auditivas. Em dado momento, pensei que aquilo poderia não ser real. Liguei para meu psicoterapeuta e disse “acho que não estou conseguindo mais separar a fantasia da realidade”. Na manhã seguinte, ele me visitou e disse que eu seria encaminhado para um psiquiatra para ser medicado.

Durante seis meses continuei em quadro psicótico. Experimentei dois antipsicóticos, quatro antidepressivos e um ansiolítico. No início de 2008, o antipsicótico foi trocado por outro, em uma semana as alucinações sumiram e os delírios perderam o sentido. Mas aí vieram desânimo, inapetência, anedonia (perda de prazer, da capacidade de gostar de algo), desinteresse, dificuldades cognitivas. Suportei a vida assim por mais um ano e meio, quando o antipsicótico foi retirado, e continuando com o antidepressivo e o ansiolítico em dois meses voltei ao normal. Remissão completa do quadro. Não se sabe ainda se o que senti nessa fase era depressão, sintomas negativos da esquizofrenia, ou efeitos colaterais do antipsicótico. Meu diagnóstico final foi Transtorno Esquizoafetivo.

Para enviar seu testemunho é só escrever para claudia.belfort@grupoestado.com.br .

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