“A luz apagou quando eu estava…”

“A luz apagou quando eu estava…”

Tutty Vasques

15 de novembro de 2009 | 09h28

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

Esqueça o que você realmente estava fazendo na hora do apagão. A História ensina que, com o passar do tempo, todo mundo inventa uma aventura pessoal mais interessante que os fatos para contar sobre esses momentos cruciais das grandes experiências coletivas. Mal comparando, o presidente Nicolas Sarkozy publicou recentemente em seu Facebook que ajudou a dar marretadas no Muro de Berlim. E jamais saberíamos que ele nem sequer saiu de Paris naqueles dias de 1989, não fosse a inveja doentia que a imprensa francesa não esconde quando o assunto é o marido da Carla Bruni. Sarkô, como se sabe, foi vergonhosamente desmascarado esta semana, a troco de nada, na festa dos 20 anos da Alemanha unificada! 

Mentir, nesses casos, não é crime nem pecado. Que graça tem dizer, por exemplo, que estava no banheiro ou jogando paciência no computador quando te perguntarem o que você fazia quando a luz apagou na terça-feira?! Também não precisa exagerar, jurar que estava na cama do Fasano com a Madonna ou no lobby do hotel, fechando negócio com Eike Batista, mas soa absolutamente factível contar que ficou preso no elevador do prédio do seu dentista, você e a Camila Pitanga!

Sei de uma moça do Leblon que criou um roteiro inesquecível para o seu 11 de Setembro: diz ela, desde então, que foi atropelada – e prontamente socorrida – pelo Chico Buarque, que tirava o carro da garagem do prédio quando ela passava pela calçada a caminho do mar. “Só quando acordei no dia seguinte ele me contou sobre o atentado contra as torres gêmeas!” E, sem dar tempo a perguntas, termina assim sua historinha: “Choramos um bocado no café-da-manhã!”

Parece mentira de marca maior, mas nada se compara ao improviso do escritor Fernando Moraes ao declarar ao jornal O Globo o que fazia na hora do apagão deste 11 de Novembro: “Estava no MSN entrevistando o dirigente de uma organização anticastrista de Miami.” É mole?  Dizem que, no mesmo instante, caiu a ligação skype entre Paulo Coelho e a stripper Dita Von Teese.

         E você, fazia o quê? Eu estava em São Paulo procurando a festa dos 50 anos do Marcelo Tas, quando passou outro Marcelo, o Rubens Paiva, cantando pneu de sua cadeira a caminho da casa do Nuno Ramos, onde olhamos a cidade escura com Fernanda Takai e violão cantando Nara Leão na varanda até às 3h da madrugada. Foi lindo!

Texto publicado na coluna Ambulatóro da Notícia no caderno Aliás deste domingo no Estadão.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.