“Pinto no lixo, eu?”

Tutty Vasques

28 Novembro 2010 | 06h42

jggTorcendo para que o bota-fora do Lula não coincida com o dos traficantes da Penha, o governador Sérgio Cabral prepara uma grande festa de despedida para o presidente no sambódromo carioca. A ideia é expulsar a bandidagem do Rio antes de 20 de dezembro, data já acertada com Zeca Pagodinho para comandar o show de agradecimento do balneário à parceria com o governo federal no mandato que se encerra sob fogo cruzado na cidade.

Vai passar! Faltam ainda três semanas para o pagode e, do jeito que o exército inimigo bateu em retirada na quinta-feira, francamente, Lula adentrará a Sapucaí, como diria Jamelão definindo um estado de felicidade sobre-humano, “feito pinto no lixo”. Tem motivos para isso! Afora os indicadores sociais e econômicos que teimam em superar as lambanças de percurso, vida de ex-presidente é uma delícia. “Primeiro de tudo, vou passar 4 meses descansando”, conta nos dedos da mão esquerda.

Por motivos semelhantes, Obama desenvolveu um complexo que seu psicanalista define como “inveja do Bush”. Se até o ex-chefe de estado americano virou um sujeito alegre e espirituoso depois que deixou a Casa Branca, imagina o Lula à toa. Fernando Henrique não parece assim tão eufórico com o vidão que vem levando nos últimos 8 anos porque intelectual é assim mesmo: sabe disfarçar satisfação com prazeres da vida longe dos holofotes palacianos.

Visto pelo retrovisor, o poder pode até inspirar saudades, mas imagina a chateação que não se evita pela frente. Por essas e por outras é que Celso Amorim não fez a menor questão de emplacar no Ministério da Dilma. Só se fala disso no Itamaraty, onde corre o boato de que o bota-fora do chanceler organizado esta semana pelo pessoal da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra, acabou na madrugada de terça-feira com todo mundo nu no lago Lemán. Papo, evidentemente, de diplomata invejoso!