Política do pau oco

Tutty Vasques

03 Maio 2012 | 02h16

ilustração pojucanOs homens públicos citados nos escândalos em curso na imprensa brasileira precisam tomar muito cuidado para não exagerar no que dizem de supetão em legítima defesa da honra.

Não há nada mais ridículo que político encalacrado se fazendo de virgem para provar que é probo.

Os governadores do Rio e de Goiás são as mais recentes vítimas desse gênero constrangedor de mico por eles protagonizado em sequência nas entrelinhas da cobertura jornalística das atividades criminosas de Carlinhos Cachoeira.

O goiano Marconi Perillo saiu primeiro com esta pérola da liturgia de santificação do pau oco: “Nunca tratei no palácio de qualquer assunto que não fosse de interesse do governo!”

Dias após, com o mesmo ar de moço bom, o carioca Sérgio Cabral não deixou a auréola cair: “Nunca na minha vida misturei amizade com interesse público!”

Fez lembrar um pouco a sinceridade transmitida por Bill Clinton na entrevista em que tentou encerrar o caso Monica Lewinsky com a célebre oração “eu nunca tive relações sexuais com aquela mulher”.

Deu no que deu!