A comunidade é fogo!

Tutty Vasques

13 de fevereiro de 2011 | 06h50

fhbhsdUma tragédia! Não há outra definição para o fogo que consumiu em horas na manhã de segunda-feira um ano de trabalho de três escolas de samba do Rio. O drama da Portela, da Grande Rio e da União da Ilha tocou a todos, sem prejuízo de uma interpretação cômica dos fatos que se seguiram ao sinistro. Sem mortos ou feridos a se lamentar, teve vítima cuja fantasia se resumia a duas plumas e um punhado de purpurina dizendo nos telejornais que perdeu tudo no incêndio da Cidade do Samba.

Nunca antes na história do carnaval carioca se ouviu tanto clichê de superação e solidariedade para botar o bloco na rua. “A vontade não foi queimada!” Não chegaram a organizar campanha de doação de fantasias – todo mundo tem alguma coisa meio carnavalesca no armário -, mas toda a liturgia das grandes catástrofes no estado do Rio voltou espontaneamente ao noticiário na narrativa popular de seu drama momesco. “Este povo forte e guerreiro vai renascer das cinzas e mostrar sua força na avenida!”

Garra, raça, união, entrega, emoção, fé, reconstrução, alegria, luta, samba no pé, vamos que vamos… Daria pra fazer um país, na pior das hipóteses uma cidade bem melhor, só com a energia gerada por aquele maldito incêndio em cada componente do mundo do samba no pé. Sabe a “força da comunidade”? Só se fala disso no caminho dos carros de reportagem entre Madureira e a Baixada Fluminense.

Onde faltar alegoria, promete-se a toda hora na imprensa, o carnaval carioca vai desfilar alegria em estado bruto. Não à toa, os baianos chegaram a cogitar a ideia maluca de tocar fogo em meia dúzia de trios elétricos para divulgar melhor o carnaval de Salvador na mídia. O desafio que a tragédia da Cidade do Samba impôs aos desfiles na Marquês de Sapucaí atraiu para o Rio todas as expectativas de algo novo na festa deste ano. Ou Não, né?

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