A desmoralização do bolão!

A desmoralização do bolão!

Tutty Vasques

28 de fevereiro de 2010 | 09h21

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

Quando a gente pensa que não há mais conto-do-vigário que se possa ainda inventar no País, o “erro lamentável” da lotérica de Novo Hamburgo foi um golpe e tanto na boa-fé do apostador. Pode até não ter abalado a devoção do brasileiro à Mega-Sena acumulada, mas atingiu em cheio a credibilidade de uma instituição nacional em ano de Copa do Mundo: o bolão, definitivamente, subiu no telhado.

Nem todo bolão é igual – a brincadeira será bem diferente quando a bola rolar na África do Sul -, mas não há como restabelecer até o meio do ano a confiança no sistema de banca informal, preceito básico nesse tipo de jogo cotizado entre os próprios apostadores. Todo mundo vai pensar duas vezes antes de meter a mão no saco de um colega de trabalho em busca de um número de camisa da Seleção para torcer que seu dono em campo seja o autor do primeiro gol do Brasil na Copa. “E se o cara sumir de véspera com a grana?”

Tão grave quanto o trapaceiro em carne e osso, o fantasma do conto-do-vigário não se esvai com a comprovação de erro humano da funcionária gaúcha da Esquina da Sorte. O Brasil inteiro viveu esta semana assombrado pelo drama dos 40 apostadores que dormiram milionários e ainda não acordaram desse pesadelo. Ninguém vai parar de jogar por causa disso, mas a graça de participar de um bolão nunca mais será a mesma depois daquilo tudo em Novo Hamburgo.