A esculhambação da austeridade

Tutty Vasques

15 Maio 2012 | 00h02

ilustração pojucanTadinho do ser humano! Tudo que ele inventa com a melhor das intenções para dar um jeito na situação acaba, na prática, caindo em desgraça. A austeridade é a última vítima desse esforço global para reduzir a marcha do fim do mundo em curso.

A menina dos olhos de Angela Merkel passou de solução a vilã da pindaíba na Europa. Pobre austeridade! Tem gente em Portugal que nem sabe direito o que é isso, mas desde já é contra!

Líder da seita baseada na crença de que o problema da insustentabilidade financeira do homem – ô, raça! – é o descontrole de gastos, a chanceler alemã virou a austeridade em pessoa.

Alvo de manifestações populares na Grécia e na Espanha contra a política de cortes orçamentários no enfrentamento da crise econômica, a chamada era Merkel subiu no telhado fragorosamente derrotada nas eleições de domingo passado na Alemanha.

Sairá de cena em breve sem, decerto, reparar o mal que vem fazendo ao caráter de austero, que até bem pouco tempo era qualidade substantiva de quem zela pelo rigor consigo mesmo e com os outros no exercício do poder.

Justiça seja feita a Nicolas Sarkozy, o ex-presidente da França também foi fundamental na esculhambação do sentido da coisa.