A farra da camisinha

Tutty Vasques

25 Fevereiro 2009 | 09h51

Nunca vi um levantamento sério sobre a freqüência sexual do folião durante o Carnaval, mas sempre achei um exagero a quantidade de preservativos arremessada sobre as multidões no cio das batucadas. Este ano o governo federal liberou uma taxa extra de 10 milhões de camisinhas para a festa nas ruas. Só nas imediações da Marquês de Sapucaí, o presidente Lula ajudou a distribuir 70 mil por noite, o que dá mais ou menos uma por cabeça – aí incluídas as alas mirins e a velha guarda de todas as escolas.

Nos últimos quatro dias, o país jogou camisinha para o ar como antigamente fazia com serpentina e lança-perfume. O brasileiro gosta disso! A farra do preservativo alimenta o mito do macho que bebe feito gambá, pula que nem canguru e ainda dá expediente de coelho depois de andar pra burro até a cama mais próxima. Haja fôlego para voltar ao trabalho, né não?

Texto publicado no caderno Cidades/Metrópole desta quarta-feira, no ‘Estadão’.