A guerra dos fins de mundo

Tutty Vasques

30 Março 2013 | 06h42

reproduçãoO que mais enfurece o líder Kim Jong-un na leitura do noticiário internacional é o destaque que a imprensa dá ao Chipre nesses tempos em que todo dia a Coreia do Norte ameaça detonar uma guerra nuclear sem precedentes no planeta.

Numa dessas, nervosinho do jeito que é, Kim acaba apertando um botãozinho daqueles e – buuummm! – manda o paraíso fiscal encalacrado no Mediterrâneo para o espaço, eliminando de vez a má notícia concorrente de Pyongyang.

A primazia do fim do mundo, como o leitor já deve ter percebido, tem sido disputada na mídia por dois fins de mundo absolutamente distintos: o Chipre e a Coreia do Norte, ruínas do capitalismo e do comunismo, respectivamente, são as mais sérias candidatas do momento a gota d’água da crise global.

Tem a Síria correndo por fora, mas lá, assim como em todos os lugares da África onde o desastre humano é crítico, o fim do mundo parece restrito às fronteiras nacionais de cada fim de mundo desses que rendem notinhas de pé de página de jornal.

Já o Chipre e a Coreia do Norte, cada um com seu cada qual, são lambanças muito mais representativas da estupidez planetária. A guerra está só começando!