A indústria do bullying

Tutty Vasques

01 de maio de 2011 | 06h12

gsagagfAntes que o eleitor paranaense comece a se queixar de “bullying” pelos cascudos deve estar tomando de colegas por causa do voto em Roberto Requião, é preciso dar um corretivo no emprego do termo que o Brasil tomou emprestado da língua inglesa. Ou, daqui a pouco, ninguém mais vai saber o que é bullying! Do jeito que o senador se incluiu no hall de vítimas da coisa para justificar sua habitual truculência com a imprensa, francamente, não demora o deputado Jair Bolsonaro e a promotora Deborah Guerner vão dizer que são homofóbico e doida de pedra, respectivamente, pelo tanto que apanham no noticiário.

Requião poderia simplesmente ter evocado seu temperamento de Felipão do Senado para explicar porque tomou o gravador e ameaçou dar uns tapas no jornalista que lhe perguntou sobre a pensão (R$ 24.117) de ex-governador, que recebe em seu estado. O técnico do Palmeiras também tem o hábito de peitar uns e outros quando falam de seus vencimentos, mas, justiça lhe seja feita, desde criança nunca foi de bater porque cansou de apanhar.

“O repórter queria me extorquir respostas”, choramingou Requião, ao subir à tribuna do Senado para inaugurar o uso da expressão “bullying” fora do ambiente escolar, extensivo a todos os que se acharem vítimas de perseguição da imprensa. O precedente é perigoso! Cria jurisprudência para atitudes destrambelhadas de qualquer um que sair mal na foto do noticiário. O José Genoíno, por exemplo, teria enfim o pretexto que precisa para realizar o velho sonho de entrar atirando a esmo em qualquer grande redação do Brasil.

Entre os artistas, embora Caetano Veloso já tenha ameaçado pegar em armas várias vezes para reagir ao que Requião chama agora de bullying, nenhum cantor estaria mais propenso a um dia de fúria contra a imprensa quanto Oswaldo Montenegro. Já pensou? Ainda bem que ninguém leva o que o senador diz a sério, né não? Graças a Deus!

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