A magia da literatura

Tutty Vasques

30 de julho de 2014 | 00h02

ilustração pojucanO conhecimento, por vezes, é um truque! Nos tempos em que eu frequentava festivais de cinema, descobri com os produtores Ney Sroulevich e Luiz Carlos Barreto que ninguém precisa estar na sala escura para depois ter coisas inteligentes a dizer sobre o filme que não assistiu. Não raro, a dupla trocava a projeção pelo prazer de um papo regado a charutos no foyer e, à saída dos cinéfilos, era capaz de monopolizar conversas sobre as intenções do diretor.

Tenho a impressão de que esse tipo de magia do cinema migrou para a literatura com o advento da Flip, cuja 12ª edição começa hoje em Paraty. Claro que a maioria dos 25 mil amantes da leitura lá esperados vai dar muita topada na maratona de mesas literárias, mas tem intelectual por aí preparando frases feitas só para não fazer feio na hora da caipirinha. Citar, por exemplo, Michael Pollan – “Cozinhar é um ato político” –, atração vegetariana da Tenda dos Autores, pode ser uma boa. Convém não pedir carne no jantar!