A maldição dos homônimos

Tutty Vasques

18 Outubro 2011 | 00h03

ilustração pojucanNo tempo em que Orlando Silva era “o cantor das multidões” – o primeiro Roberto Carlos do Brasil –, João Dias despontava para os anos dourados do rádio brasileiro como “o herdeiro de Francisco Alves”. Não era pouca coisa! Se não chegou a ser “rei”, o intérprete de ‘Sinos de Belém’ (versão de ‘Jingle Bells’) dividiu palco com a realeza de Dalva de Oliveira em temporada de shows pelo País. Foi, mal comparando, uma espécie Fábio Jr. de sua época.

Isso pode não dizer nada a você, prezado leitor de meia-idade, mas imagine como deve estar sendo desagradável para a geração de seus pais a leitura do noticiário, agora que Orlando Silva é aquele ministro do Esporte denunciado por corrupção pelo policial militar João Dias, presidente da Federação Brasiliense de kung fu.

Para a garotada entender melhor o problema de seus avós, vamos supor que, amanhã, o mega Top Trend do Twitter seja ‘Luan Santana chama Fiuk de bandido’ ou ‘Fresno acusa Restart por formação de quadrilha’.

Ainda que sejam tão-somente homônimos de velhos ídolos, convenhamos, Orlando Silva e João Dias não mereciam – in memoriam – a baixaria que seus nomes protagonizam na primeira página dos jornais da semana.