A marcha das Jaquelines

Tutty Vasques

03 Setembro 2011 | 06h29

ilustração pojucanCá pra nós, não se via nada igual em matéria de predisposição ao protesto desde a célebre reação a Fernando Collor que levou a população às ruas vestida de preto num domingo marcado pela primeira grande manifestação nacional pró-impeachment naquele agosto de 1992.

Se agora, apesar da combustão espontânea pela absolvição de Jaqueline Roriz, fracassarem as dezenas de marchas contra a corrupção convocadas para o 7 de Setembro, a derrota não será só da capacidade de indignação da chamada sociedade civil.

Estarão em jogo na quarta-feira que vem a eficácia das redes sociais e, em última análise, o poder de mobilização da Internet. No tempo em que não havia Twitter, Facebook, Skype, iPad, tablets e o escambau – nem e-mail ou celular se usava como agora – multidões combinaram pelo telefone fixo o movimento que mais pra frente derrubou o presidente.

Olhando pelo lado positivo, sem saudosismos, o melhor lugar hoje em dia para se encontrar um monte de gente que compartilha das mesmas ideias não é, evidentemente, a rua. Ligar o computador é muito mais seguro e prático: ninguém precisa se vestir de preto para soltar os bichos na web!