A mentirinha do século

Tutty Vasques

13 de setembro de 2008 | 11h00

A cada 11 de setembro que passa, mais e mais pessoas em todo o mundo reinventam a própria história para responder à clássica enquete sobre “o que você estava fazendo na hora dos ataques do terror a Nova York”. Oito anos após a tragédia, não há mais relatos de gente que estivesse, porventura, no banheiro, na cadeira do dentista, às turras com um operador de telemarketing ou falando sozinho num engarrafamento de amargar. Entre uma e outra torre abaixo, estavam todos fazendo negócios da China, sexo tântrico, viagens ao paraíso…

Mentir, no caso, não altera os fatos relevantes da efeméride. Só retoca a rotina tediosa dos sobreviventes do primeiro dia do resto do fim do mundo. Pense nisso: você tem a partir de agora um ano inteirinho para reprogramar seus passos naquele 11 de setembro de 2001. Uma dica: evite a sugestão aqui ventilada do sexo tântrico, que está super batida! Use a imaginação, mas, por favor, menos, ok?

Texto publicado no caderno ‘Metrópole’ deste sábado, no ‘Estadão’

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