A musa do verão!

A musa do verão!

Tutty Vasques

21 de fevereiro de 2010 | 09h28

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

Aconteceu à meia noite deste sábado: José Roberto Arruda levantou-se do sofá onde estava deitado olhando pro teto, foi reconhecendo pelo tato sobre a mesa de canto a caixinha de leite integral, garrafa térmica, copo descartável, revista, outro copo de plástico, o pacote de bolacha de água e sal, o tubo de repelente aerossol, até alcançar o relógio que procurava. Recuou os ponteiros àquela altura para 23h02, resmungou qualquer coisa e, de volta ao sofá, viveu de novo acordado cada segundo da hora extra de cadeia a que foi condenado pelo fim do horário de verão.

Do primeiro governador preso no Brasil a gente não vai esquecer jamais, a despeito do rosário de mazelas que, a um mês do outono, a imprensa já alinhava para as retrospectivas do verão de 2010. Vem chumbo grosso aí! Recordes de chuva, de sensação térmica, de engarrafamento, de xixi na rua, de criminalidade, de desfaçatez generalizada… Do noticiário internacional, destaque para o fiasco de Copenhague, a tragédia do Haiti e o risco do mundo acabar nas férias em Machu Picchu.

Impensável até a última primavera, a prisão do Arruda virou uma espécie de musa do verão, possibilidade real de diversão na estação da má-notícia. Teve também aquele outro momento glorioso em que o Bóris Casoy precisou pedir desculpas aos garis – “eu errei, falei bobagem” -, mas os jornais não gostam muito de citar jornalistas como exemplo.

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