A que estádio chegamos!

A que estádio chegamos!

Tutty Vasques

20 de junho de 2010 | 09h18

ilustração POJUCAN

ilustração POJUCAN

O mais deprimente na possibilidade de São Paulo ficar fora da Copa de 2014 por falta de estádio é a garantia de Ricardo Teixeira de que isso não vai acontecer. Com todo respeito à palavra de honra do presidente da CBF, o estado mais rico do país do futebol não pode depender de seu feeling de macaco velho para marcar presença no palco da maior festa mundial do esporte mais popular no Brasil.

De lascar, também, são os argumentos de Lula contra a exclusão do Morumbi: “Acho estranho que um estádio em que o Corinthians foi campeão paulista, depois de 23 anos, em 1967, não sirva para a Copa do Mundo.” Como assim?

Na defesa da construção alternativa de uma arena em Pirituba – o Piritubão do Kassab -, soma-se às esperanças do torcedor paulista a figura pouco tranquilizadora do presidente do Corinthians, estrategicamente pousada no ombro do presidente da CBF. O poder público alega que não tem dinheiro pra isso, a iniciativa privada diz que não rasga o seu na obra, os arquitetos garantem que não há mais tempo para tocar o projeto, mas, se Andres Sanches acredita…

A pátria de chuteiras está nua do tornozelo pra cima! Pior que a pindaíba assumida em SP, o país inteiro está se dando conta de que os estádios brasileiros são, em geral, peças de museu perto de qualquer um desses que a África do Sul construiu ou reformou, a despeito da desconfiança geral na capacidade do país-sede. A arquitetura moderna, a proximidade do público, os gramados impecáveis, a TV mostra todos os dias que a África agora somos nós!

Difícil acreditar que estaremos prontos para a Copa de 2014. Não se constroem estádios com o espírito guerreiro que Dunga associa, dentro de campo, ao futebol. Se bem que, se rolar uma cervejinha pra peãozada, quem sabe, né?

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