A república dos estatutos!

Tutty Vasques

30 de julho de 2010 | 06h38

ilustração pojucan

ilustração pojucan

Parece que na gafieira deu certo! Diz lá em seus estatutos musicados por Billy Blanco “dance a noite inteira, mas dance direito” – e ai de quem “abusar da umbigada de maneira folgazã, prejudicando hoje o bom crioulo de amanhã”. Resta saber se esse gênero de ética da malandragem é capaz de impor respeito ao ambiente selvagem dos estádios de futebol no Brasil.

         A partir de agora, o torcedor que continuar a se comportar feito animal nas arquibancadas “será devidamente censurado e, se continuar, vai pras mãos do delegado” – olha o breque! Reza o tal Estatuto do Torcedor que não pode mais quebrar, bater, atirar (ainda que pro alto), xingar, empurrar, cuspir na cara, chutar o balde, quebrar o pau, soltar pum, jogar saco de xixi no careca lá embaixo…

         Se der certo, o Brasil poderá, assim, de estatuto em estatuto, ir tomando vergonha na cara. Viriam por aí, não necessariamente nessa ordem, os manuais de boa conduta do políticos, das polícias, dos presidentes da CBF, dos sem-terra, dos apresentadores de programas vespertino na TV, dos atendentes de telemarketing, dos motoristas de táxi, dos goleiros do Flamengo…

         Com cinco mandamentos genéricos em prática, a gente faz um país!

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