A saia-justa do elogio

Tutty Vasques

13 Setembro 2011 | 00h02

Como qualquer dona de casa que, ao ouvir elogios sobre a limpeza de seu lar, diz que não faz nada de mais para manter tudo ali um brinco, Dilma Rousseff segue se esquivando de aplausos pela faxina ética que uns e outros vislumbraram nos primeiros meses de seu governo.

Não há nada de errado com a falsa modéstia feminina, mas, no caso da presidente – ao contrário de toda mulher que finge desvalorizar seu esmero doméstico só pra fazer charme -, a negação da própria virtude está ganhando contornos de patologia política.

De tanto desconversar quem vê nela uma liderança anticorrupção, a presidente ainda vai acabar perdendo a paciência com alguém que lhe dê parabéns por não compactuar com a ladroagem. “Ora, vai lamber sabão!”

Pode se tornar o primeiro caso no mundo de governante que, aclamado pela honestidade no trato com a coisa pública, reage com rispidez e indignação: “Ilibada é a vovozinha!”

Tomara que, só para ver onde isso vai parar, a chamada sociedade civil encolha um pouco mais a saia-justa da presidente quando voltar as ruas pela ética na política com a faixa “Obrigado, Dilma Rousseff, pelo combate à roubalheira!” Vai dizer que não, presidente?