A socialização dos maus-tratos

Tutty Vasques

14 de agosto de 2010 | 06h28

A inclusão social vai, aos poucos, mostrando sua face perversa no Brasil: quando o pobre chega para a festa do consumo já tem fila, tumulto, atraso absurdo, pouco-caso, gentileza zero, confusão e desconforto. Quem nunca andou de avião, melhor se apressar, antes que embarcar numa ponte aérea qualquer seja sofrimento comparável a pegar metrô em dia de greve de ônibus.

Quando, enfim, a classe D ultrapassar a classe C a caminho do aeroporto, o povo vai começar a sentir saudades da rodoviária. Falta pouco! A certa altura do rush no saguão de Congonhas, o movimento não fica nada a desejar ao vai-vem de uma manhã de sábado na 25 de Março.

É difícil ir ao banheiro, comer uma coxinha, sentar, pegar um táxi, ouvir o que estão dizendo, respirar. O Pacaembu em dia de jogo do Corinthians funciona, por vezes, melhor!

Pura maldade com os ex-pobres! Condenados de berço a serviços de péssima qualidade, os passageiros emergentes da base da “nova economia” vão acabar sendo responsabilizados pela zorra total que sinaliza a tal inclusão social nos aeroportos brasileiros. Para recebê-los, socializaram os maus-tratos! Já deve ter rico chiando por aí! Ô, raça!

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