A última do Kadafi!

Tutty Vasques

22 Outubro 2011 | 06h20

ilustração pojucanO humor negro está em festa: depois da captura de Osama Bin Laden, em maio, o ser humano – ô, raça! – não esperava tão cedo se divertir tanto com a desgraça de um semelhante. Raramente acontece duas vezes ao ano a chance de, sem hipocrisias, poder dizer “bem feito” no velório de um cretino.

Está reaberta em 2011 a temporada de chutar “cachorro louco” morto: vale piada, deboche, escracho ou escárnio sobre a situação degradante de Muamar Kadafi arrastado daquele jeito, como diz o outro, “feito um Cauby Peixoto bêbado” pela avenida central do martírio líbio. Ficam, no caso, abolidos todos os limites do grotesco!

O próprio Rafinha Bastos, se dissesse o que o afastou do ‘CQC’ sobre a netinha recém-nascida do ex-ditador, não daria nem processo na Justiça. Ronaldo Fenômeno também não se chatearia com o programa por causa disso!

Todo homem de bem, por mais politicamente correto que seja, tem o direito de ser mau feito pica-pau quando um notório malfeitor se esborracha em seu caminho.

Dificilmente acontece quando a vítima é brasileira: a herança portuguesa de reverência à morte não permite. A turma só fala assim do Sarney porque ele está vivo. Repara só!