A última do português

Tutty Vasques

20 de maio de 2011 | 06h10

vzvbzsParece piada! Se a ideia era combater o preconceito linguístico, deviam ter esperado um pouco mais para lançar o tal livro didático que faz apologia do erro de concordância. O discurso que antecedeu Dilma Rousseff no Palácio do Planalto ainda estava vivo demais na memória do brasileiro quando o MEC saiu em defesa do direito singular de articular o plural em desacordo com a gramática do tempo de FHC. Resultado: o direito de andar por aí dizendo “os livro” – para usar um exemplo da publicação na berlinda – está sendo exaltado nas redes sociais como um legado da era Lula. Puro preconceito!

O papo seria outro se tivessem levantado a discussão quando Caetano compôs Rock’n’Raul (“E hoje olha os mano) ou, antes disso, na época que tocava no rádio “A gente somos inútil”. O Ultraje a Rigor cantava “a gente não sabemos escolher presidente”, e ninguém ligava o verso à pessoa.

No tempo em que o Lula ainda não era piada pronta, tolerava-se o erro intencional de português como figura de linguagem pela qual, ensina o Houaiss, “a concordância das palavras na frase se faz segundo o significado, e não de acordo com as regras da gramática”. Hoje em dia, ninguém sabe nem o que é “silepse”, né não?

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