Abraço de afogado

Tutty Vasques

16 Setembro 2011 | 06h41

reproduçãoPobre é assim mesmo! Não pode ver ninguém – não importa quem! – em dificuldades, que corre para acudir. Estende a mão, reparte o pão, abre a casa, raciona a água, joga corda, divide a pinga, faz respiração boca-a-boca e o escambau. É, pois, natural que, instintivamente, Brasil, China e Índia se mobilizem para ajudar os países da zona do euro. Tadinha da Itália, né?

Decididos a salvar o Velho Mundo da pindaíba, os chamados Brics – cada um com seu ministro da Fazenda a tiracolo – vão chegar mais cedo na semana que vem à reunião do FMI e do Banco Mundial, em Washington, para tentar socorrer as economias arrastadas pela dívida pública que devasta a Europa. Quem já foi pobre sabe o que é perder tudo na enxurrada, como queixam-se agora os ex-ricos no ‘Financial Times’. Toda ação humanitária, no caso, é louvável!

Só precisa tomar cuidado com o abraço de afogado! No desespero, como se sabe, o ser humano tem sempre o impulso de morrer agarradinho a sua tábua de salvação. Como o próprio Guido Mantega está careca de saber, esse papo de dizer que (país) emergente não afunda, boia, é conversa fiada. Os ricos sempre nos confundiram com outra coisa.