Águas passadas

Águas passadas

Tutty Vasques

20 de setembro de 2008 | 11h03

reprodução

Gosto não se discute, mas este que agora dá sabor à água de torneira em algumas regiões de São Paulo, peralá, ainda que fosse agradável, valeria comprar a briga: água boa não tem gosto, e ponto final. Dizem os responsáveis por tudo que sai pelos canos da cidade que a sensação amarga na boca de quem mata a sede no filtro não faz mal à saúde do consumidor. Cheiro ruim também não, né?

A resposta vem com outro esclarecimento inquietante: o aroma acre que o chuveiro libera é resultado do tratamento dado para neutralizar os males dos despejos de esgoto. Ah, bom! A Satesb não se pronunciou a respeito, mas é certo que pode-se beber água à vontade, sem risco de alteração nos registros do bafômetro da blitz. Na pior das hipóteses, os namorados das zonas sul e leste de SP vão estranhar, a princípio, o bafo do parceiro. Depois passa!

O brasileiro se acostuma com tudo. Para acompanhar a água com gosto de cabo de guarda-chuva, vem aí o pãozinho de farinha de trigo batizada com mandioca. Como diziam os antigos, o que não mata, engorda.

Texto publicado neste sábado no caderno Metrópole do ‘Estadão’

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