Ainda é bom para a Patrícia Pillar?

Ainda é bom para a Patrícia Pillar?

Tutty Vasques

02 de maio de 2010 | 09h27

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

Se a política é uma arte, Ciro Gomes é um daqueles quadros que deixam a opinião pública – ô, raça! – na maior dúvida sobre a genialidade ou a impostura da obra exposta. Como certas nuances que só os entendidos percebem entre um esboço de Picasso e os rabiscos do filho da vizinha, o olhar de Patrícia Pillar sobre o namorado foi um divisor de águas na interpretação do político pela turma que tem dificuldades de discernimento dos homens públicos em geral. Mulher assim – inteligente, madura, bonita, poderosa e descolada – não admira por tanto tempo uma enganação em pessoa a seu lado. “O que é bom para Patrícia Pillar é bom para o Brasil!” – ninguém disse isso tão claramente, mas esta coluna está cheia de leitores que pensam mais ou menos desse jeito no julgamento de um bom partido.

Gente que, afora o fetiche de fazer de Patrícia Pillar primeira-dama do País, voltou a olhar com simpatia para Ciro Gomes num quadro eleitoral em que sua pré-candidatura surgiu como alternativa à mesmice da alternância do poder em Brasília. Namoro que, dessa vez, durou menos de dois meses e terminou esta semana com suspiros de alívio no sepultamento das pretensões de Ciro na sucessão de Lula. O eleitor do marido da Patrícia já havia pedido divórcio para seu voto ao vê-lo comprometido com a famosa metralhadora giratória do deputado em defesa de sobrevida política na corrida presidencial.

Ninguém chorou no velório do PSB e a ausência ostensiva de Patrícia Pillar em todo o processo de construção e implosão da pré-candidatura de seu companheiro só foi sentida pelo eleitorado fiel à atriz. Seus seguidores desconfiam que ela também tenha pulado fora a tempo de não dividir o mesmo teto com o deputado quando seu projeto político veio abaixo. É o que veremos nos capítulos em que Ciro Gomes vai tentar se acalmar no exílio. Com ou sem a patroa, eis a questão!

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