Ave marinha cheia de graxa…

Ave marinha cheia de graxa…

Tutty Vasques

06 de maio de 2010 | 08h14

reprodução

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Por enquanto é só – ou ainda – uma velha suspeita! Há tempos desconfio que, a cada mega vazamento de óleo no planeta, a cobertura jornalística de acidentes ambientais publica sempre as mesmas fotos capturadas no arquivo “ave marinha cheia de graxa”. É assim, calculo, desde a Guerra do Kuwait, no início dos anos 90, quando vi pela primeira vez um desses patos, garças e/ou gaivotas com a tintura negra do petróleo que Saddam Hussein, em retirada, mandou derramar ou queimar no Golfo Pérsico.

São, salvo engano, os mesmos pássaros que apareceram anos depois no noticiário, tomando mamadeira em hospitais veterinários improvisados na Baía de Guanabara e no Mar do Timor, em 2000 e 2009, respectivamente. Contra a tese de que o material genérico de arquivo teria sido gerado originalmente na Guerra do Golfo, há quem tenha identificado em todos os casos aqui citados de ‘maré negra’ uma espécie de bico emporcalhado que já havia posado para a primeira página dos jornais no naufrágio do petroleiro Exxon Valdez, no Alasca, em 1989 – antes, portanto, do desembarque das tropas americanas no Kuwait.

Resta saber se, com isso, a imprensa está economizando dinheiro das diárias dos fotógrafos – ô, raça! – ou tempo na cobertura do fim do mundo: lambança de óleo, cá pra nós, é tudo igual.

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