Bico calado!

Tutty Vasques

07 Outubro 2011 | 06h24

ilustração pojucanA chamada venda de emendas ao Orçamento na Assembleia Legislativa de São Paulo é, mal comparando, como aquela história dos “bandidos de toga”: é bem provável que exista, mas, a julgar pelas reações oficiais às denúncias, não se pode tocar no assunto sem apresentar, tintim por tintim, o ônus da prova. Sob o risco de cometer, dependendo do caso, “quebra de decoro parlamentar” ou “atentado ao Estado Democrático de Direito”.

O deputado estadual e a corregedora de Justiça que andaram botando a boca no trombone, cada um com o seu cada qual, viraram alvo de quem tem o poder de investigação. Exige-se deles o dever público da deduragem substanciada e sustentável.

Lembra um pouco a história daquele marido que, alertado pelo vizinho para abrir o olho com a patroa, exige dele o flagrante completo: “Quero o nome do amante!” Mais: data, hora e local dos encontros, testemunhas, registros de câmeras de segurança, recibos de motel e o escambau.

Moral da história: se você não tem como provar, bico calado sobre o que anda vendo de errado à sua volta. Ou, depois, não diga que o governador Geraldo Alckmin e o ministro Cezar Peluso não avisaram!